Há três anos que o catequista João Soares, gestor, acompanha o mesmo grupo de 25 crianças e pretende levá-lo até ao Crisma num percurso de crescimento humano, espiritual e cristão, que tem como meta temporal uma peregrinação a Roma no final do 10.º ano da catequese

Mais do que um simples programa de catequese, o Projeto 4Elementos nasceu da vontade de criar uma experiência de formação integral para os jovens, envolvendo ativamente as famílias em todas as etapas do percurso, dentro e fora da sala da catequese.
“O projeto foi elaborado com os pais. Tudo o que faço na catequese é trabalhado com os catequizandos, mas sobretudo com os pais”, explica João Soares, catequista desde 2018, que acredita que a formação cristã assenta numa parceria indispensável entre Igreja, família e jovens.
“Somos um triângulo: a Igreja, os pais e as crianças. São os três pilares que sustentam este projeto.”
A experiência dos últimos anos reforçou-lhe esta convicção: a família continua a ser o primeiro espaço de transmissão da fé.
“É na família que nasce a primeira catequese. Se os pais não estiverem presentes, podemos remar muito, mas dificilmente conseguiremos chegar onde queremos.”
Por isso, defende uma catequese baseada menos na imposição e mais no testemunho.
“Costumo dizer que mais vale um grama de atitude do que uma tonelada de teoria. Temos de seguir o Catecismo e iniciar os jovens na vida cristã, mas não precisamos de lhes impor nada. O importante é levá-los a gostar de Jesus.”
É essa visão que continua a orientar o trabalho do grupo da Matriz de São Sebastião, cujo lema resume o espírito do projeto: “Caminhar com Jesus é viver feliz.”
Foi precisamente desse trabalho conjunto que nasceu, no 7.º ano, o Projeto 4Elementos, uma iniciativa pensada para ser vivida ao longo de vários anos de catequese e que tem como horizonte uma viagem de carácter religioso no final do percurso.
“Em princípio será a Roma, para visitar o Papa. É um objetivo que nos une e nos ajuda a caminhar todos na mesma direção”, refere.
Mas a viagem representa apenas o culminar de um processo mais profundo. Entre os principais objetivos do projeto estão a promoção do crescimento humano, espiritual e cristão dos jovens, o fortalecimento da relação com Jesus Cristo, o incentivo à participação na vida da Igreja e da comunidade e o desenvolvimento de valores como a amizade, a cooperação, o respeito e o espírito de grupo.
O Projeto 4Elementos assenta simbolicamente em “quatro pilares fundamentais da fé cristã”: a Cruz, sinal do amor e da entrega de Jesus; a Luz, que representa Cristo como guia do caminho dos cristãos; o Espírito Santo, que orienta a vida cristã; e a Hóstia, alimento espiritual dos fiéis.
“Cada vez mais os jovens fogem da Igreja e cabe-nos a nós, catequistas e Igreja em geral, incentivá-los a gostar dela”, afirma João Soares.
“O nosso papel é ajudá-los a descobrir Jesus como um amigo e a comprometerem-se com Ele. Se conseguirmos isso, teremos bons cristãos e já ganhamos.”
Apesar dos desafios atuais que a catequese enfrenta, João Soares acredita que o essencial é semear valores que possam florescer mais tarde na vida dos jovens.
“Sei que muitos, depois do Crisma, podem afastar-se da Igreja. Mas a sementinha fica lá e um dia há de desabrochar”, afirma.
Para o catequista, a missão resume-se numa imagem simples: “O nosso trabalho é deixar a sementinha de Jesus Cristo no coração deles.”
O catequista sublinha, por outro lado, que a vivência cristã não se limita ao conhecimento teórico.
“O cristão segue os mandamentos, vive as bem-aventuranças e participa na Eucaristia, porque é aí que recebe Jesus Cristo vivo”, enfatiza.
A participação das famílias é uma das marcas distintivas da iniciativa. Segundo João Soares, os pais acompanham regularmente as atividades promovidas pelo grupo e participam inclusivamente em momentos específicos de catequese ao longo do ano.
“Os pais estão a par de todas as atividades. Faço muitas iniciativas fora das quatro paredes da sala de catequese e eles acompanham-nos”, conta.
“Até faço habitualmente quatro catequeses mais dirigidas aos pais”, acrescenta.
As sessões da catequese realizam-se aos sábados, entre as 17h00 e as 18h00, num horário escolhido pelos próprios pais e pelos jovens. Contudo, o trabalho desenvolvido vai muito além desse encontro semanal.
Consciente de que os jovens procuram experiências diferentes, João Soares aposta frequentemente em atividades ao ar livre e em espaços da comunidade.
“Os miúdos já não querem a catequese apenas dentro de quatro paredes. Procuramos fazer atividades noutros espaços como ermidas, no Parque Urbano, no centro da cidade. A teoria é importante, mas também é preciso sair e viver a fé de outra forma” sublinha.
Ao longo dos anos, o grupo foi assumindo compromissos concretos. Um dos momentos simbólicos do projeto consistiu na assinatura de um compromisso individual, representado por uma pedra do mar onde cada jovem escreveu o seu nome.
“Cada um assinou o seu compromisso e gravou o seu nome numa pedra. Era uma forma de perceberem que assumir um compromisso implica responsabilidade”, explica.
Essa responsabilidade traduz-se em valores simples, mas exigentes: assiduidade, pontualidade, participação nas atividades do grupo e presença na Eucaristia.
“Eu não obrigo ninguém a nada. Quem quiser vir, vem. Mas quem vier assume um compromisso”, destaca.
O tema trabalhado este ano foi precisamente o das escolhas.
“Nós fazemos escolhas e temos de assumir as consequências dessas escolhas. Se escolhem a catequese, então devem procurar levá-la até ao fim”, conclui.
Na catequese da Matriz de São Sebastião há 22 catequistas. Até à primeira comunhão existem sempre dois grupos de cada ano, porque esta é a paróquia que recebe as crianças do colégio Passarada. A partir do quinto ano já só há um grupo de cada ano.






