
O Papa apelou hoje, no Santuário de Lourdes, à valorização da vida em todas as suas fases, numa crítica indireta à recente legalização da eutanásia na França.
“Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã”, disse Leão XIV, durante a homilia da Missa celebrada no santuário mariano.
A intervenção, perante milhares de pessoas, sublinhou que os doentes assumem um papel “insubstituível” na Igreja, convidando-os a viver num espírito de oferta “para entrar neste caminho redentor de que o mundo tanto necessita”.
“Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus”, referiu o pontífice.
“Lourdes é o lugar abençoado de uma profissão de fé na beleza e na sacralidade da vida, pois aqui ela é acolhida como um dom precioso de Deus, chamada a desabrochar para a eternidade no amor do Pai” referiu o Papa.
O Santuário de Lourdes assumiu-se como um dos principais centros de peregrinação mundial desde as aparições marianas a Santa Bernadette Soubirous em 1858.
O Papa citou as mensagens transmitidas pela Virgem Maria, destacando que a “verdadeira felicidade” está reservada para a eternidade.
“Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas”, precisou.
A celebração eucarística decorreu no espaço exterior do Santuário, completamente lotado, após o Papa ter percorrido o recinto em viatura aberta para saudar a multidão.
“Levai o consolo de Lourdes aos vossos vizinhos, aos vossos entes queridos e a todo o povo francês”, recomendou Leão XIV.
A intervenção apelou à transformação dos corações humanos, num mundo que “vai mal”.
“Como não se sentiriam interpelados os nossos corações perante os conflitos cada vez mais generalizados, que destroem tantas vidas inocentes?”, questionou o pontífice.
A reflexão incidiu ainda sobre os apelos à conversão e à penitência, que marcam a mensagem de Lourdes, uma exigência que envolve a própria comunidade católica, “para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio”.
“Devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor”, reconheceu o Papa.
A Missa contou com leituras e orações em várias línguas, para sublinhar a dimensão internacional do Santuário: italiano, espanhol, ucraniano, inglês, alemão, neerlandês e árabe.
“Não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança”, exortou Leão XIV na conclusão da homilia.
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