Reunião dos cinco conselhos da Unidade pastoral da Ribeira Grande reuniram-se este sábado

O reforço da unidade pastoral, a aproximação aos que se afastaram da Igreja e uma mudança de uma pastoral de “manutenção” para uma pastoral do “encontro”, foram as prioridades elencadas pelos Conselhos Pastorais das cinco paróquias da Unidade Pastoral da Ribeira Grande, que se reuniram este sábado, 26 de setembro, para refletir sobre o novo Ano Pastoral e definir caminhos para uma Igreja mais próxima, acolhedora e missionária, informa uma nota enviada ao Sítio Igreja Açores.
A assembleia reuniu a equipa do clero e os membros dos Conselhos Pastorais das paróquias da Ribeirinha, Matriz, Conceição, Ribeira Seca e Santa Bárbara, tendo como ponto de partida o Plano Pastoral Diocesano para o novo Ano Pastoral.
Inspirada no relato evangélico do encontro de Jesus com Zaqueu (Lc 19,1-10), a reflexão procurou levar os participantes a escutar o Espírito Santo e a identificar as “margens” existentes atualmente na comunidade cristã e na sociedade.
A partir da pergunta “Quem são hoje os nossos Zaqueus?”, os grupos foram convidados a reconhecer quem está afastado, quem se sente excluído e quem a Igreja é chamada a encontrar.
Entre as principais conclusões, segundo a nota enviada ao Igreja Açores, destacou-se a necessidade de ir ao encontro daqueles que se afastaram da Igreja, com particular atenção aos jovens, aos casais divorciados, aos idosos que vivem situações de solidão e às pessoas que, na sociedade, permanecem “sem voz”.
A assembleia reconheceu também a existência de um certo “comodismo, insegurança e falta de coragem para mudar”, considerando que algumas práticas pastorais “permanecem demasiado centradas na manutenção” do que já existe e nem sempre respondem às necessidades da sociedade atual.
Neste contexto, foi apontada a necessidade de “refrescar” algumas atividades pastorais, dando-lhes uma nova roupagem, sem perder a essência do Evangelho e da pessoa de Jesus Cristo.
A formação dos leigos e a criação de novos grupos e momentos de oração estiveram igualmente entre as necessidades mais referidas pelos participantes.
A pastoral juvenil foi outra das áreas consideradas prioritárias. Os participantes defenderam a necessidade de criar espaços capazes de motivar os jovens a assumir o seu lugar na Igreja e a não terem medo de se reconhecer como protagonistas da sua missão.
Ao longo dos trabalhos foi ainda identificada alguma resistência à mudança, associada ao medo, aos “orgulhos paroquiais” e à expressão “sempre se fez assim”. Os participantes reconheceram que determinadas tradições e formas de fazer pastoral podem dificultar a abertura a propostas novas e mais ousadas.
A reflexão incidiu também sobre a realidade interna das próprias comunidades. Foram identificados “corações feridos”, “falta de união entre movimentos, relações marcadas por afastamentos e uma excessiva centralidade no “eu”, situações que podem contribuir para o fechamento das pessoas e enfraquecer o testemunho cristão”.
“O novo Ano Pastoral deverá apostar no fortalecimento da Unidade Pastoral, ultrapassando aquilo que foi designado como as `paroquialites´ e a mentalidade do `sempre se fez assim´.”
A proposta passa, assim, por uma Igreja que não se limita a esperar, mas que sai ao encontro, acolhe sem julgamentos e cria condições para a conversão, a participação e o compromisso de todos. Uma pastoral onde, como foi sublinhado durante a assembleia, “todos, todos, todos” são chamados à missão da Igreja.
No final da reunião, após o plenário, o padre Carlos Simas, pároco moderador da Unidade Pastoral da cidade da Ribeira Grande, destacou a necessidade de uma pastoral mais ousada e capaz de promover um novo arejamento da Igreja.
Para o sacerdote, é necessário atualizar a ação pastoral tendo em conta os desafios do tempo presente, sem perder as raízes do Evangelho. Sublinhou ainda que o testemunho dos cristãos, dentro da própria Igreja, é observado também por quem está fora, sendo por isso necessário reconhecer e enfrentar as fragilidades existentes nas comunidades.
“Precisamos sarar os nossos corações e as nossas feridas!”, afirmou, alertando para a existência de situações internas que podem enfraquecer a vida da Igreja e dificultar a sua missão.
O padre Carlos Simas defendeu, deste modo, uma Igreja “arejada, ousada e capaz de ir ao encontro daqueles que se afastaram”, recuperando a força do testemunho das primeiras comunidades cristãs, sintetizado na expressão: «Vede como eles se amam».




