Educar é “a grande tarefa da humanidade” – Fernando Moita

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O diretor do Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC) elegeu hoje como “grande tarefa da humanidade”, a educação, partilhada por Igreja, país, sociedade, e afirmou ser necessário continuar a construir este “compromisso social”.

“Importa continuar a sonhar a educação e a sonhar aquilo que ela significa também no compromisso social que se faz. Não só o compromisso em Igreja, mas no compromisso social que se quer continuar a fazer”, indicou à Agência ECCLESIA o professor Fernando Moita, diretor do SNEC.

O Simpósio ‘Traçar Mapas Educativos para uma Magnífica Humanização’, junta mais de 400 pessoas num encontro organizado pelo SNEC, pela Associação Portuguesa das Escolas Católicas, pelo Instituto Religare e a Faculdade de Teologia, da Universidade Católica Portuguesa.

A organização recorda os 40 anos da aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, em 1986, também a Carta apostólica que o Papa Leão XIV assinou, após o Jubileu do mundo educativo, ainda o Pacto educativo, proposto pelo Papa Francisco e a encíclica, que Leão XIV publicou, em maio, sobre o ser humano na era da Inteligência Artificial.

“Acredito que é através da educação que nos tornamos melhor pessoas, que deixamos de ser indivíduos para passar a ser pessoas, pessoas em relação uns com os outros, na construção de um mundo melhor, com a natureza e também nós cristãos com Deus”, sublinha.

O professor Fernando Moita indica ser na escola que “a pessoa se desenvolve na plenitude, no saber fazer, no saber ser, e no saber com, saber com os outros, estar com os outros, construir os outros”.

Sem ignorar o contexto em que o ano escolar tem início – escassez de docentes e dificuldades na colocação de professores, adiamento do arranque escolar decorrente do atraso na correção de exames – o responsável reconhece que a figura do professor tem de ser valorizada.

“A partir do momento que não valorizarmos o ato educativo, não valorizarmos a escola, não valorizarmos esse papel importante de todo e qualquer professor, estamos muitas vezes a construir uma realidade árida. Porque estamos a falhar na valorização do ato educativo e valorizar a escola enquanto realidade de aprendizagem. E em algumas circunstâncias, quase dramática, ninguém quer ser professor. Ser professor é uma profissão belíssima”, valoriza.

“Precisamos de professores, precisamos muito de professores. Precisamos que jovens queiram ser professores. Precisamos de algumas políticas continuar a fazer com que as políticas também pensem na realidade organizacional das escolas. Educar é a grande tarefa da humanidade. Acredito perfeitamente e piamente que a educação é a tarefa mais nobre que uma humanidade, que um país, que a Igreja tem. É através da educação que nos humanizamos”, acrescenta.

Foto: Educris

O Simpósio ‘Traçar Mapas Educativos para uma Magnífica Humanização’ junta em Fátima docentes, diretores de escolas, investigadores, – “pessoas que estão no terreno a fazer da educação o grande desafio da sua vida” – abrindo nesta sexta-feira com uma conferência do cardeal José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Dicastério para a Cultura e a Educação com o mesmo tema.

O ex-ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo vai ser convidado a olhar a educação nos últimos 40 anos, elegendo “os agentes, os sujeitos, as reformas educativas, os sonhos e os seus limites”.

Como pano de fundo na reflexão do Simpósio, encontram-se os desafios tecnológicos e o impacto que a Inteligência Artificial está a provocar na área da educação.

Sem os refutar, Fernando Moita indica a necessidade para se valorizar as descobertas no ensino humano, no processo das aprendizagens que criam relação nas comunidades educativas.

“Nós vivemos um mundo belíssimo, que é de muitas ‘nuances’, uma sociedade em muita mutação e transformação, umas coisas muito boas, outras menos boas, que é preciso acautelar, onde é preciso estar atento para encontrar sempre o bem maior. Celebrar 40 anos da Lei do Sistema Educativo é uma obrigação de todos os educadores, pensando no que de bom este diploma legal nos trouxe, em termos de universalidade, gratuidade e obrigação, uma vez que a escola é para todos”, aponta.

A conversa com o diretor do SNEC vai estar no centro do programa ECCLESIA, emitido sábado na RTP Antena 1, pelas 06h00.

(Com Ecclesia)

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