Diretor do Serviço Diocesano da Pastoral da Evangelização, Catequese e Missão esteve hoje em Fátima onde participou na reunião dos Secretariados Diocesanos em ordem á preparação do próximo ano catequético

A catequese deve ser, antes de tudo, um encontro vivo com Jesus Cristo e, por isso, tem de ser inclusiva, intergeracional e capaz de chegar a todas as pessoas, independentemente da sua idade ou condição. A convicção foi expressa esta sexta-feira pelo padre Bruno Rodrigues, diretor do Serviço Diocesano da Pastoral da Evangelização, Catequese e Missão da Diocese de Angra, à margem da reunião dos Secretariados Diocesanos da Catequese, que decorreu em Fátima, numa entrevista ao sítio Igreja Açores.
“A diferença não pode ser um obstáculo. Quem vem deve ser acolhido e devemos ter a sensibilidade de estar atentos e abertos a todos”, afirmou o sacerdote, defendendo uma catequese que responda também aos desafios colocados pelas crianças e jovens com deficiências, através de projetos de catequese inclusiva, familiar e intergeracional, que já vão surgindo em diversas paróquias da diocese.
Para o responsável diocesano, reduzir a catequese à transmissão de conteúdos seria desvirtuar a sua verdadeira missão.
“A catequese não é uma escola no sentido de transmitir apenas conhecimentos ou doutrina. É, sobretudo, um encontro vivencial com Jesus Cristo”, sublinhou.
Essa visão implica envolver não apenas as crianças, mas também pais, avós e toda a comunidade cristã.
“A pedagogia divina é para todos”, sintetizou, insistindo que ninguém deve ficar de fora do caminho da fé.
Neste contexto, o padre Bruno Rodrigues considera que os catequistas são chamados a assumir um papel cada vez mais dinâmico, criativo e próximo das famílias.
“Quem acompanha também precisa de ser acompanhado. Quem escuta também necessita de ser escutado”, afirmou, defendendo uma formação que vá além da dimensão técnica e inclua a espiritualidade e o acompanhamento pessoal.
O sacerdote apelou ainda a uma catequese mais missionária, capaz de sair das salas e de se traduzir em experiências concretas de serviço.
“Os adolescentes e os jovens têm de sair da sala de catequese. O que recebem deve transformar-se em gestos concretos de caridade e de amor junto da comunidade. É isso que faz crescer a Igreja”, afirmou.
Na Diocese de Angra, reconhece já sinais concretos desta renovação, através de projetos que procuram integrar crianças com deficiência ou necessidades específicas, envolver os pais no percurso catequético e aproximar a catequese da realidade das famílias. Considera que estas experiências refletem o espírito do novo Itinerário Catequético nacional, que procura colocar a pessoa e o encontro com Cristo no centro da ação evangelizadora.
O padre Bruno Rodrigues participou na reunião nacional dos Secretariados Diocesanos da Catequese, promovida pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã, que reuniu em Fátima os responsáveis das dioceses portuguesas para avaliar o ano pastoral, partilhar experiências e preparar as iniciativas catequéticas dos próximos anos.
O encontro incluiu momentos de reflexão sobre o acompanhamento dos catequistas, a apresentação de novos recursos do itinerário catequético da coleção EMAÚS e a divulgação das principais iniciativas nacionais, entre as quais a Semana Nacional da Educação Cristã de 2026, as Jornadas Nacionais de Catequistas, marcadas para 17 e 18 de outubro de 2026, em Fátima, e o Encontro Nacional de Catequese de 2027, que decorrerá em Beja.
Ao fazer um balanço do encontro, o diretor do Serviço Diocesano da Pastoral da Evangelização, Catequese e Missão da Diocese de Angra classificou-o como “muito positivo”, destacando a comunhão entre dioceses, a partilha de boas práticas e o trabalho conjunto em torno da implementação do novo itinerário catequético.
“Estamos a dar um salto na formação e a trabalhar para que a catequese em Portugal tenha maior dinamismo e maior capacidade de envolver crianças, adolescentes e famílias”, concluiu.
Entre os momentos centrais do programa destacou-se a conferência “O catequista e a arte de acompanhar, perspetiva de quem recebe e transmite”, apresentada pelo padre Pedro Manuel, da Diocese do Algarve, e dedicada ao papel do catequista no processo de acompanhamento e crescimento da fé.
O encontro contou também com a apresentação de um projeto da Fundação Fé e Cooperação (FEC), por Joana Peixoto e Inês Cerqueira, e com a partilha da experiência de formação de várias catequistas no curso “Master em Evangelização e Catequética de La Salle”.
O programa incluiu a apresentação do segundo recurso do Despertar da Fé (DF2), integrados na coleção EMAÚS, uma iniciativa desenvolvida pelo SNEC em parceria com a Salesianos Editora e apresentada pela Irmã Isabel Martins e o padre Rui Alberto Almeida, salesiano.