Programa pastoral considera também as romarias quaresmais como “peregrinação sagrada”

O programa pastoral da Diocese de Angra indica 23 igrejas jubilares para o Ano da Misericórdia, que decorre de 08 de dezembro deste ano a 20 de novembro de 2016.

Para além da Sé de Angra e dos cinco santuários diocesanos haverá, pelo menos, uma igreja por ouvidoria.

A Sé de Angra vai ser a Igreja Jubilar por excelência do Ano Santo da Misericórdia, mas a acompanhá-la estarão, ainda, os cinco santuários diocesanos: Santo Cristo em Ponta Delgada, Bom Jesus no Pico, Nossa Senhora da Conceição em Angra, Santo Cristo da Caldeira em S. Jorge e Nossa Senhora dos Milagres da Serreta na Terceira, e ainda outras igrejas especialmente significativas em cada ilha e ouvidoria.

A indicação destas igrejas está presente nas Orientações Diocesanas de Pastoral anunciadas esta terça-feira, onde também se estabelece que as Romarias Quaresmais de São Miguel, Terceira e Graciosa sejam igualmente consideradas “peregrinação sagrada” jubilar.

“À prática da peregrinação está ligada a indulgência jubilar que exige a celebração do sacramento da reconciliação, a comunhão eucarística, a oração pelo Santo Padre e a contrição perfeita”, refere o documento que define as Orientações Diocesanas de Pastoral intitulado “Misericordioso como o Pai”.

Inserida nesta “peregrinação” está a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

“Trata-se de um momento da missão evangelizadora na Igreja e da Igreja”, refere o documento lembrando que é a terceira visita desta imagem da Virgem (esteve nos Açores nas décadas de 40 e de 80) e, à semelhança, desse tempo que “tanto mobilizou” as comunidades cristãs, também agora deve merecer “um especial empenho e motivação de todos”.

No documento que define as Orientações Diocesanas de Pastoral, o Bispo de Angra dia que a Igreja “é chamada”, neste tempo de mudanças epocais, “a oferecer mais vigorosamente os sinais da presença e proximidade de Deus”.

A diocese de Angra vai prosseguir , no poróximo ano pastoral, o trabalho de auto conhecimento quer da realidade social quer da eclesial, mas fá-lo-á no contexto do Ano Jubilar da Misericórdia.

“Este não é o tempo para nos deixarmos distrair, antes pelo contrário: é o de  permanecermos vigilantes e despertarmos em nós a capacidade de fixar o essencial” diz D. António de Sousa Braga .

O lema do ano é extraído do Evangelho de S. Lucas 6, 36- “Misericordiosos como o Pai”-, e propõe-se que seja capaz de “viver a misericórdia seguindo o exemplo do Pai, que pede para não julgar e não condenar, mas perdoar e dar amor e perdão sem medida”.

De acordo com o responsável pela Igreja diocesana, “o Bom Pastor com extrema misericórdia carrega sobre si a humanidade, mas os seus olhos confundem-se com os do Homem. Cristo vê com os olhos de Adão e este com os olhos de Cristo. Cada pessoa descobre assim em Cristo a própria humanidade e o futuro que a espera” e é isto que os cristãos açorianos devem seguir.

Por isso, toda a ação da Igreja açoriana deve ser “sinal e instrumento da misericórdia do Pai”; “manter vivo o desejo de individualizar os inúmeros sinais da ternura que Deus oferece aos que estão em tribulação, vivem sozinhos e abandonados, sem esperança de ser perdoados”; “sentir intensamente a alegria de ter sido reencontrados por Jesus”; “dar conta do calor do amor do Bom Pastor, quando nos carrega aos ombros e nos traz de volta à casa do Pai”; de “ser tocados pelo Senhor Jesus e transformados pela sua misericórdia para nos tornarmos, também nós, testemunhas da misericórdia”; de “tratar as feridas e não nos cansarmos de ir ao encontro de quantos estão à espera de ver e tocar sensivelmente os sinais da proximidade de Deus, para oferecer a todos o caminho do perdão e da reconciliação” e, finalmente “fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que o mundo contemporâneo tantas vezes cria de forma dramática”.

Para realizar tudo isto, o prelado alerta para a necessidade de uma “dinâmica própria” que deve “ser adquirida e consolidada”, devendo “alargar-se e aprofundar-se na constituição e realização dos Conselhos Pastorais de Paróquia, de Zona Pastoral, de Ouvidoria, de Ilha e Diocese, bem como em Assembleias Pastorais locais, temáticas, ou por destinatários, com momentos de reflexão, testemunho, oração, celebração e festa”.

“As instâncias pastorais consultivas, executivas e formativas devem girar à volta dos eixos que nos orientam ao longo deste ano”, apela ainda D. António de Sousa Braga.

Assim, são estabelecidas uma série de orientações para os Serviços Diocesanos que devem “ preparar e celebrar o Jubileu de um modo temático ou consoante os destinatários que servem”.

Para além da Cáritas Diocesana e de cada Ilha, através de vários programas de inclusão social, entres eles o “+ Próximo”, dos Centros Sociais Paroquiais e Movimentos de Caridade, as Santas Casas da Misericórdia dos Açores, “deverão ser um meio extraordinário de realizar as obras de misericórdia entre nós”, dando corpo à ideia da sua fundação quer do ponto de vista material quer do ponto de vista espiritual.