Projeto da Salvaterra é uma das 20 primeiras iniciativas apoiadas pela Fundação Jornada, criada após a JMJ Lisboa 2023. Em Santa Maria, o @BARCA capacita jovens dos 15 aos 25 anos para dinamizarem atividades com menores vulneráveis, tendo já realizado um BootCamp e um campo de férias com 30 crianças e 16 jovens animadores.

O projeto @BARCA, promovido pela SalvaTerra – Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social Mariense, na ilha de Santa Maria, é um dos 20 primeiros projetos apoiados pela Fundação Jornada, instituição criada no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 para dar continuidade ao legado deixado pelo encontro. A iniciativa pretende capacitar jovens entre os 15 e os 25 anos para se tornarem agentes ativos na construção de respostas sociais dirigidas a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.
Com financiamento da Fundação Jornada e o apoio da Câmara Municipal de Vila do Porto, o @BARCA nasceu este ano e tem como principais objetivos promover o desenvolvimento integral das crianças e jovens, fomentar a inclusão social e contribuir para a criação de respostas que rompam ciclos de dependência e vulnerabilidade.
O projeto já passou da fase de preparação à intervenção no terreno, através da realização de um BootCamp de Capacitação de Animadores e de um Campo de Férias, que decorreu entre 1 e 4 de julho, em Santo António, na ilha de Santa Maria. A atividade envolveu 30 crianças, 16 jovens animadores e três dirigentes dos Gambozinos.
A participação juvenil constitui uma das principais dimensões do @BARCA. A Pastoral Juvenil da ouvidoria de Santa Maria colaborou na mobilização dos jovens, aos quais se juntaram outros participantes, num processo marcado pelo voluntariado e pelo sentido de bem comum.
Os jovens envolvidos no projeto beneficiaram de formação orientada pelos Gambozinos, realizada em dois momentos, no final de maio e no final de junho, preparando-os para a dinamização das atividades dirigidas às crianças, segundo a página online da Associação.
O Campo de Férias permitiu concretizar a aposta do projeto na inclusão e na diversidade, reunindo participantes provenientes de diferentes contextos socioeconómicos e culturais e procurando reforçar a coesão comunitária.
“Chama-se ‘@BARCA’ exatamente para que haja lugar para todos”, explica Rita Marques, coordenadora do projeto, destacando também a dimensão simbólica do nome numa comunidade marcada pela insularidade, em declarações à Agência Ecclesia.
“Também para nós é muito simbólico, vivemos numa condição de insularidade, numa ilha, e, portanto, todo o imaginário à volta do mar, da sua largueza, da sua vastidão, é uma coisa identitária para nós”, afirma.
A coordenadora considera que o nome traduz igualmente a diversidade de experiências que o projeto pretende proporcionar.
“Por isso, achamos que ‘@BARCA’ vai dar espaço a muitos tripulantes, a muitas viagens, a muitos tipos de navegação”, acrescenta.
Além do trabalho com crianças, o @BARCA prevê a realização de assembleias juvenis, enquanto espaços de diálogo e participação apartidária, bem como outras atividades destinadas a promover o protagonismo dos jovens na comunidade.
Rita Freitas, de 17 anos, foi uma das jovens que aderiu à iniciativa.
“Conheci este projeto por meio de colegas meus da escola e o que me levou a participar foi o facto de trabalharmos com crianças de diversas idades e de situações diferentes de vida e que as atividades que íamos realizar iam ser boas para eles”, explica também citada pela Agência Ecclesia.
Através desta metodologia, o projeto procura colocar os jovens não apenas como destinatários de respostas sociais, mas como protagonistas e construtores de soluções, capazes de contribuir para respostas mais justas e para a quebra de ciclos de vulnerabilidade.

Fundação Jornada apoia 20 primeiros projetos
O @BARCA integra o primeiro conjunto de 20 projetos apoiados pela Fundação Jornada, que pretende prolongar, através de novas iniciativas, o trabalho desenvolvido em torno da JMJ Lisboa 2023.
Três anos depois da Jornada Mundial da Juventude, a instituição está a canalizar recursos para projetos dirigidos aos jovens em diferentes áreas, entre as quais a saúde mental, a dependência digital, a espiritualidade e a educação.
Em declarações à Agência Ecclesia, Inês Rocha e Mello, gestora de projetos da Fundação Jornada, explica que as iniciativas selecionadas são muito diversificadas, mas têm em comum a aposta nos jovens e no seu desenvolvimento integral.
“O apoio financeiro é um meio e é necessário para poder fazer tudo aquilo que nós queremos, mas o trabalho que tem sido feito é muito mais este de encontrar jovens, aproximarmo-nos dos jovens, trabalharmos em conjunto com os jovens e fazê-los quase explodir o seu potencial e poder fazê-los sonhar”, afirmou.
A Fundação Jornada prevê um orçamento anual de cerca de 800 mil euros para apoiar projetos. O primeiro concurso, lançado este ano através do programa “Jovens Agentes de Esperança”, resultou na seleção de 20 iniciativas, às quais foram destinados 500 mil euros.
A instituição disponibilizou ainda 100 mil euros, em parceria com o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, para a seleção de outros projetos focados na espiritualidade dos jovens.
Para além da componente financeira, a Fundação Jornada está a implementar um modelo de acompanhamento das iniciativas apoiadas, adaptado à fase de desenvolvimento de cada projeto.
Segundo Inês Rocha e Mello, algumas iniciativas necessitam de apoio na estruturação do projeto, da oferta e das equipas, enquanto outras beneficiam sobretudo de acompanhamento para garantir a concretização das diferentes etapas dentro dos prazos previstos.
A Fundação Jornada deverá abrir uma nova fase de candidaturas a 22 de outubro, estando prevista a divulgação do novo regulamento no início desse mês.
A missão da instituição mantém-se centrada em “aproximar, capacitar e impulsionar os jovens”, procurando trabalhar o desenvolvimento integral e devolver-lhes a esperança.

SalvaTerra: intervenção social desde 1998
A SalvaTerra – Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social Mariense é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) constituída em 28 de julho de 1998, na ilha de Santa Maria, com a missão de promover o desenvolvimento local e rural, incentivar a formação socioprofissional e apoiar públicos desfavorecidos ou em situação de exclusão social.
A associação iniciou a sua atividade com dois ATL, em Vila do Porto e Almagreira, e foi posteriormente diversificando as suas respostas sociais.
Em 2000, criou o Centro de Informática de Vila do Porto, destinado sobretudo a crianças e jovens com poucos recursos, que viria a encerrar em 2014.
Em 2004, foi inaugurado o Centro de Recursos Comunitários, instalado na antiga Escola Primária de Santo António, em Santo Espírito, que integrou inicialmente as valências de costura, lavandaria, carpintaria e jardinagem.
A associação criou ainda um Ateliê de Sapateiro, inicialmente instalado no Mercado Municipal, que continua atualmente a funcionar e constitui a única oficina de sapateiro da ilha.
Em 2011, foi criado o Centro de Convívio de Idosos de Santo Espírito e, em 2013, a Loja Social, em Vila do Porto, onde são disponibilizados artigos a preços simbólicos e comercializados produtos de artesanato e produtos hortícolas e ervas aromáticas provenientes da horta social da instituição.
O crescimento das atividades levou à ampliação dos espaços da associação, que passou também a desenvolver atividades de carpintaria, jardinagem, costura, lavandaria, tecelagem e tratamento de lã.
É neste percurso de intervenção social e comunitária que surge o @BARCA, acrescentando à ação da SalvaTerra uma nova dimensão centrada na capacitação e participação juvenil.





