EMRC volta a ser lecionada este ano letivo em todas as ilhas dos Açores e nos diferentes níveis de ensino. O coordenador da disciplina está otimista quanto à adesão dos alunos e admite que o número de matrículas deverá manter-se próximo do registado no ano passado

O novo ano letivo arranca com a Educação Moral e Religiosa Católica presente em toda a rede escolar açoriana, do Corvo a Santa Maria, abrangendo os vários ciclos de ensino- do primeiro ciclo ao secundário- e também o ensino profissional. Para Bento Aguiar, um dos responsáveis pela pastoral escolar, os sinais são positivos, apesar dos desafios que continuam a colocar-se à disciplina.
“Estou otimista quanto a mantermos, pelo menos, o mesmo número de alunos do ano passado”, afirma o coordenador, lembrando que no final do último ano letivo estavam inscritos cerca de 11.600 alunos nesta disciplina. Os dados definitivos deste ano deverão ser conhecidos apenas dentro de alguns meses, quando for realizado o levantamento estatístico habitual, mas o número de professores solicitado pelas escolas – a ilha de São Miguel tem mais um professor- permite antecipar uma evolução positiva.
A disciplina mantém também a presença de professores em todas as ilhas. Entre docentes dos quadros das escolas, do quadro regional e contratados, são 63 professores de Educação Moral e Religiosa Católica a assegurar a lecionação nos estabelecimentos de ensino açorianos.
Bento Aguiar destaca ainda o trabalho desenvolvido durante a preparação do ano letivo. A distribuição dos professores pelas escolas começou nos meses de abril e maio, tendo sido posteriormente realizadas visitas às unidades orgânicas para avaliar as necessidades.
“Chegado a 31 de julho, nós tínhamos um serviço completo em relação às propostas de colocação”, explica, considerando que o processo decorreu “muito bem”.
A EMRC continua igualmente presente nos colégios de São Francisco e de Santa Clara, integrados na rede de escolas católicas. A disciplina prossegue agora de forma sustentada a sua presença no primeiro ciclo e mantém-se nos restantes níveis de ensino.
“Não podemos ficar parados”
Apesar da estabilidade no número de professores e das perspetivas favoráveis quanto às matrículas, Bento Aguiar considera que a disciplina não pode acomodar-se. Sendo uma disciplina de oferta obrigatória, mas de frequência facultativa, a adesão dos alunos depende, em grande medida, da capacidade de a escola e de os professores apresentarem uma proposta que seja relevante para crianças e jovens.
“Temos de estar sempre a fazer o melhor, mais do que os outros, para que consigamos cativar os alunos e mostrar que a nossa proposta é vantajosa e é credível”, sublinha.
O coordenador deixa, por isso, um desafio aos professores para o novo ano letivo: “Não podemos ficar parados, temos que ir ao encontro, temos que acolher, temos que sensibilizar”.
A necessidade de acompanhar as mudanças na sociedade e a forma como alunos e famílias olham atualmente para a Igreja, para a moral e para a catequese é, segundo Bento Aguiar, um dos principais desafios.
“Existem alternativas em Educação Moral que por vezes são muito incisivas e que, se ficarmos parados, perdemos o comboio”, alerta.

Um professor para além da sala de aula
Para Bento Aguiar, uma das principais mais-valias da disciplina está precisamente na relação que os professores conseguem estabelecer com os alunos, dentro e fora da sala de aula.
“As crianças e jovens têm muita necessidade de falar, de brincar, de partilhar”, afirma, considerando que o professor de Educação Moral pode funcionar como “um porto seguro”, alguém que acolhe, escuta e acompanha as preocupações dos alunos.
O papel do docente ultrapassa, assim, o cumprimento dos programas. “Muito mais do que estar a cumprir um programa, é um elo fortíssimo na ligação que pode ter com os alunos”, defende Bento Aguiar, salientando a capacidade dos professores para acompanhar os jovens em momentos de crise, muitas vezes relacionados com problemas familiares e sociais.
Nesse sentido, considera que a EMRC pode desempenhar um papel importante na “humanização da escola”, através da presença dos professores nos recreios, nas atividades, nas visitas de estudo e nos planos anuais das escolas.
O coordenador salienta ainda que os professores de Educação Moral e Religiosa Católica, sobretudo os docentes efetivos, assumem frequentemente outras funções para além da lecionação da disciplina.
“Nem sempre dão só a sua disciplina”, explica, referindo a participação em projetos, atividades e outros cargos dentro das escolas. Esta colaboração permite completar horários, mas representa também, na sua perspetiva, um reconhecimento por parte das escolas da capacidade de trabalho e de envolvimento destes docentes.
“É um reconhecimento da escola que vê no professor de Educação Moral a capacidade de trabalho para abarcar outros projetos e outras iniciativas dentro da escola”, considera.