
A Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) defendeu hoje que as comunidades católicas devem assumir-se como um antídoto contra a “fragmentação” europeia, numa nota partilhada com a Comunicação Social.
“Num contexto simultaneamente de fragmentação e polarização, a sinodalidade, com os seus ritmos necessariamente diversos e por vezes lentos, apresenta-se como um caminho exigente, mas profundamente necessário para reconstruir a comunhão”, refere uma nota de balanço, enviada após a participação da sua equipa sinodal num simpósio europeu, na Áustria.
O encontro ‘Shaping Synodality in Europe: From Vision to Roadmap’ ( ‘Moldando a sinodalidade na Europa – Da visão ao roteiro’) decorreu na cidade austríaca de Wels.
O balanço oficial resulta da presença portuguesa entre terça e quinta-feira no encontro dedicado ao tema ‘Moldando a sinodalidade na Europa – Da visão ao roteiro’.
O texto sublinha que a sinodalidade tem avançado silenciosamente através de pequenas mudanças relacionais, reconhecendo que “a comunhão não exige uniformidade”.
A reflexão aponta o dedo a uma Europa marcada pela “fragmentação, pela solidão, pela polarização, pelos nacionalismos e pela crise de confiança nas instituições”, pedindo paróquias capazes de “acolher a diversidade sem a transformar em divisão”.
Os responsáveis católicos sublinham a importância do processo sinodal e recusam a “lógica de reivindicação ou de transferência de poder”.
“Uma Igreja verdadeiramente sinodal não é apenas uma Igreja que consulta, mas uma Igreja que, em comunhão, discerne caminhos e assume responsabilidades”, alerta a delegação nacional.
A equipa avisa que o processo de escuta “não pode ser um fim em si mesmo”, devendo focar-se no anúncio cristão perante um território “profundamente secularizado” e envelhecido.
“O processo sinodal tem garantido uma grande liberdade às Igrejas, permitindo que cada comunidade encontre os caminhos mais adequados à sua própria realidade. Muitas vezes, a sinodalidade acontece silenciosamente, através de pequenas mudanças nas relações, na escuta, na participação e na vida comunitária.”
O documento da CEP lança uma interrogação de exame de consciência direcionada às comunidades crentes: “Se a Europa encontrasse hoje a Igreja através de nós, encontraria Cristo?”.
Este debate continental integra-se na preparação da inédita Assembleia Eclesial convocada pelo Vaticano para outubro de 2028.
A metodologia definida pela Santa Sé determina a realização de assembleias diocesanas de avaliação já a partir do primeiro semestre de 2027, seguidas de etapas nacionais e continentais.
(Com Ecclesia)