Projeto do Serviço Diocesano de Liturgia estabilizou com cerca de 30 alunos em São Miguel, mas responsável lamenta falta de incentivo das paróquias e escassez de recursos humanos

A Escola Diocesana de Música Sacra, criada pelo Serviço Diocesano de Liturgia da Diocese de Angra e em funcionamento desde outubro de 2024, vai entrar no terceiro ano de atividade, mantendo a aposta na formação litúrgica e musical de todos os que intervêm no canto das celebrações. Depois de um segundo ano marcado pela estabilidade do número de participantes, mas também por dificuldades na constituição da equipa docente, sobretudo em São Miguel, o projeto prepara agora um novo ciclo, com o objetivo de consolidar a formação e chegar a mais comunidades.
A escola, que nasceu para oferecer formação contínua a coralistas, salmistas, organistas e dirigentes de coro, em São Miguel e na ilha Terceira (aqui, com formação em canto e órgão), contou este ano, na maior ilha, com uma média de cerca de 30 alunos, um número inferior ao registado no ano inaugural, mas que, segundo o padre Marco Luciano Carvalho, corresponde ao grupo que procurou verdadeiramente um percurso formativo.
“O primeiro ano teve um incentivo da participação na festa do Senhor Santo Cristo e muitas pessoas foram somente por causa disso. Não foi com o objetivo de fazer formação”, explica o diretor do Serviço Diocesano de Liturgia, sublinhando que, ultrapassada essa fase inicial, permaneceram os alunos mais empenhados num processo de aprendizagem contínua.
Ao longo do ano pastoral, os participantes aprofundaram os principais documentos do Concílio Vaticano II relacionados com a liturgia e a música sacra, conjugando essa dimensão com formação técnica e prática na área musical e coral.
Apesar das limitações encontradas, o responsável faz um balanço positivo do trabalho desenvolvido.
“Conseguimos garantir a formação litúrgica, conseguimos garantir a formação musical e a formação coral”, afirma, referindo que estas três áreas nucleares nunca deixaram de funcionar ao longo do ano.
O maior desafio surgiu precisamente na constituição da equipa de formadores. Grande parte dos colaboradores participa de forma voluntária, mas nem sempre consegue conciliar esse compromisso com a atividade profissional e os restantes projetos musicais.
“Este ano trabalhou-se com muita dificuldade, por falta de pessoas que pudessem colaborar com o setor e também por falta de disponibilidade das que estavam”, refere o sacerdote, admitindo que “foi muito difícil gerir um projeto destes só com duas ou três pessoas”. Ainda assim, salienta que foi possível assegurar o funcionamento da escola durante todo o ano, destacando-se Odilardo Rodrigues, professor de Música que acompanha este projeto desde o seu início.
Outra preocupação prende-se com o envolvimento das paróquias. O padre Marco Luciano Carvalho considera que o projeto continua aquém do potencial por falta de divulgação e de incentivo por parte de muitos sacerdotes.
“Notamos também que da parte das paróquias, concretamente da parte dos párocos, não há grande incentivo. Apesar dos nossos emails enviados no início do ano, não surtiram efeito”, lamenta.
Segundo o responsável, a experiência demonstra que a adesão é significativamente maior nas comunidades onde os párocos valorizam a formação dos grupos corais e desafiam os seus membros a participar.
“Nós notamos que na Escola participam pessoas das paróquias onde realmente os párocos têm esta sensibilidade de apelar às pessoas para a formação contínua”, afirma, defendendo que um maior compromisso das comunidades permitirá consolidar o projeto e elevar a qualidade da música litúrgica na diocese.
A Escola Diocesana de Música Sacra reabre em outubro, mantendo o modelo de funcionamento dos últimos dois anos. Paralelamente, será reforçada a equipa do Serviço Diocesano de Liturgia e da Comissão Diocesana de Música Sacra, numa renovação que pretende garantir mais colaboradores para responder às exigências dos vários projetos em curso.
“Vamos tentar fazer com que mais pessoas aceitem colaborar e, com uma equipa renovada, garantir a formação que gostaríamos de ter”, adianta o padre Marco Luciano Carvalho, que continuará a acompanhar o projeto.
Criada em outubro de 2024, a Escola Diocesana de Música Sacra é um projeto de formação do Serviço Diocesano de Liturgia que promove a preparação litúrgica e musical de salmistas, diretores de coro, organistas e membros dos grupos corais. Através de formação contínua, procura qualificar os diversos ministérios da música sacra, contribuindo para uma participação mais consciente e digna das comunidades nas celebrações litúrgicas. A escola oferece dois níveis de formação: um mais geral e outro mais específico. Em Ponta Delgada, a Escola de Música Sacra decorre na Ermida de Nossa Senhora das Mercês aos sábados, de duas em duas semanas; na ilha Terceira a Escola decorre no Seminário de Angra tendo-se realizado, neste ano pastoral, 10 sessões de formação em cada uma das disciplinas ministradas- canto e órgão- asseguradas pelo padre António Santos e Liliana Silva e pelo padre Nelson pereira e Antero Ávila, respetivamente.