Missa da Coroação encerra Sanjoaninas com apelo à solidariedade para com as vítimas da Venezuela

Participaram cerca de 30 impérios da ilha Terceira, segundo a aorganização

Foto: Coroação das Sanjonainas na Sé de Angra

A tradicional Missa da Coroação encerrou este domingo as Sanjoaninas, reunindo na Sé de Angra os Impérios de toda a ilha Terceira, numa celebração marcada por um forte apelo à solidariedade, à fraternidade e ao compromisso cristão.

Na homilia, o cónego Hélder Miranda Alexandre, pároco da Sé, desafiou os responsáveis pelos Impérios, pela organização das Sanjoaninas e todos os cristãos a fazerem das festas um verdadeiro testemunho de fé, traduzido em gestos concretos de partilha.

Perante a presença de dezenas de membros das diferentes irmandades da ilha Terceira, o sacerdote dirigiu um apelo especial em favor das vítimas e das famílias afetadas pela tragédia na Venezuela.

“Estou a ver vários impérios onde a partilha e a fraternidade se dizem de muitas maneiras. E neste momento, penso nos irmãos da Venezuela… Nos impérios sobra sempre depois da festa. Porque não partilhar com estes amigos que estão a passar dificuldades? Porque não fazer um gesto a partir das festas do Espírito Santo, dos Impérios e das Sanjoaninas um sinal de fraternidade, de irmandade?”, apelou o cónego Hélder Miranda Alexandre.

Para o pároco da Sé, é precisamente essa a essência da hospitalidade cristã.

“Essa é a verdadeira hospitalidade cristã”, que deixa de fora “as distâncias, as maledicências, os ciúmes e as dificuldades.”

Refletindo sobre o Evangelho proclamado na celebração, o cónego Hélder Miranda Alexandre sublinhou que o seguimento de Cristo exige entrega, coerência e radicalidade.

“O Evangelho é bastante duro: quem não renunciar, quem não toma a sua cruz(de Jesus) não é digno. Jesus é exigente”, constata o presbítero.

Recordando o tema pastoral da Diocese de Angra para este ano – “Cristão, que dizes de ti mesmo?” -, afirmou que a identidade cristã constrói-se diariamente e não apenas nos momentos festivos.

“Este Evangelho ajuda-nos a definir a nossa identidade cristã, que não é só de festa ou de alguns momentos, mas faz-se todos os dias. Temos de ser capazes de fazer de Jesus a nossa opção fundamental”, disse.

O sacerdote acrescentou que essa opção implica coragem para denunciar as injustiças e enfrentar os desafios do mundo atual.

“Implica renúncia até da própria vida, arriscar a própria vida, denunciar o que está mal, as injustiças e até os poderes instalados” enfatizou.

Na homilia, lamentou ainda aquilo que classificou como uma vivência morna da fé.

“Por vezes somos mornos e adormecidos… Como é possível? Ser cristão é ser de Jesus sempre. Servir na sombra, gastar-se sem reservas, dar-se totalmente(…) Esta é a nossa missão: gastarmo-nos por Jesus e pelo seu Evangelho”, concluiu.

“Acolher Jesus significa acolher a sua mensagem… aquele que é discreto, que não quer ser peso para ninguém: os que visitam os doentes, os catequistas, os sacerdotes, os pais e mães que, no dia a dia, são capazes desse testemunho”, acrescentou.

A Missa da Coroação voltou, assim, a marcar o encerramento das Sanjoaninas, reunindo os Impérios de toda a ilha Terceira numa celebração onde a festa deu lugar ao desafio de viver a fé para além das tradições, transformando-a em compromisso, serviço e fraternidade.

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