
O Papa apelou hoje à redescoberta da dimensão comunitária da oração para combater a superficialidade de uma sociedade dominada pelo consumo.
“Nos nossos dias, em contextos dominados por uma mentalidade centrada na eficiência e no consumismo, a oração pode parecer algo inútil e insignificante”, alertou Leão XIV, na audiência pública semanal.
“Num mundo em que a ciência e a tecnologia pretendem dar todas as respostas, rezar pode parecer uma forma de evasão”, acrescentou, perante milhares de peregrinos reunidos no interior da Basílica de São Pedro, devido ao calor que se faz sentir em Roma.
O discurso lamentou a perda da tradição de rezar no seio de muitas famílias cristãs e observou que muitas pessoas “correm o risco de a confundir com uma técnica entre outras, de natureza psicológica e voltada para o bem-estar pessoal”.
“A oração, pelo contrário, enquanto dimensão fundamental da nossa humanidade, merece ser redescoberta na sua verdade”, afirmou.
Depois de uma pausa para as suas férias de verão, o Papa retomou o seu ciclo de catequeses sobre a constituição ‘Sacrosanctum Concilium’, do Concílio Vaticano II, para explicar a importância de colocar Deus no centro das atividades diárias.
“A liturgia é apresentada, antes de mais, como o lugar do encontro, da iniciativa de Deus que se aproxima da humanidade”, explicou.
A reflexão descreveu a Liturgia das Horas como “escola da oração cristã” e a celebração eucarística como o “sopro da vida da Igreja”.
“Ligada à Eucaristia, cuja luz prolonga, a Liturgia das Horas santifica o tempo da nossa vida quotidiana”, acrescentou Leão XIV.
Nas saudações aos peregrinos, o Papa aproveitou o período de férias de verão no hemisfério norte para recomendar o cultivo da vida interior.
“Todas as nossas atividades pertencem a Deus, incluindo o tempo livre e o repouso, e podem ser santificadas pela sua presença, que nos conduz ao encontro fraterno com os outros”, declarou.
A audiência geral incluiu a evocação da memória litúrgica da dedicação da Basílica de Santa Maria Maior.
“Pedimos à Santa Virgem que nos ajude a ser fiéis na oração, para que Deus esteja sempre em primeiro lugar nas nossas vidas”, indicou Leão XIV.
O Papa saudou ainda os milhares de peregrinos polacos que caminham a pé até ao santuário mariano de Nossa Senhora de Czestochowa, em Jasna Góra.
“Que este testemunho, o esforço do caminho, a oração comum e o encontro com Maria fortaleçam a fé e a esperança das famílias e das comunidades”, desejou.
O encontro no Vaticano incluiu uma saudação dirigida aos peregrinos lusófonos presentes na audiência geral, incluindo um grupo de escuteiros de Setúbal.
“Reavivemos nas nossas famílias e nas nossas comunidades paroquiais a oração litúrgica, que nos une como Povo de Deus a caminho”, apelou Leão XIV.
Papa regressa ao Peru e à “sua” diocese de Chiclayo

Esta quarta-feira soube-se que o Papa vai visitar o Uruguai, a Argentina e o Peru, de 6 a 17 de novembro, na sua primeira viagem pontifícia à América Latina, com regresso à diocese peruana de Chiclayo, onde foi bispo.
“Aceitando o convite dos chefes de Estado e das autoridades eclesiásticas desses respetivos países, sua santidade visitará Montevidéu, Paysandú e Florida, de 6 a 8 de novembro; Buenos Aires, Córdoba e Luján, de 8 a 11 de novembro; e Lima, Chiclayo, Cuzco e Pucallpa, de 11 a 17 de novembro”, anunciou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, numa declaração enviada aos jornalistas.
O itinerário sul-americano assinala o regresso de um Papa ao Uruguai quase 40 após a deslocação de João Paulo II, incluindo uma homenagem à Virgem dos Trinta e Três na catedral de Florida, num país conhecido ter a mais baixa percentagem de católicos da região.
A passagem pela Argentina contempla uma visita à Basílica de Nossa Senhora de Luján, santuário mariano que serve de coração espiritual da nação, assinalando a presença de um Papa na terra natal do seu antecessor Francisco, que não chegou a visitar o país nos seus 12 anos de pontificado.
A dimensão mais emotiva da viagem concretiza-se no Peru, pátria adotiva de Robert Francis Prevost desde a sua juventude missionária, como religioso de Santo Agostinho, com destaque para o regresso a Chiclayo, a diocese que o atual Papa liderou entre 2015 e 2023, período marcado pelos desafios das inundações e da pandemia de Covid-19.
Na sua primeira saudação após a eleição pontifícia, Leão XIV deixou uma mensagem espanhol para a sua “querida diocese” de Chiclayo, “onde um povo fiel acompanhou o seu bispo, partilhou a sua fé e deu muito, muito para continuar a ser a Igreja fiel de Jesus Cristo”.
O percurso andino fica completo com etapas na histórica cidade de Cusco, berço do antigo Império Inca, e em Pucallpa, no seio da floresta amazónica peruana.
A próxima viagem internacional de Leão XIV vai levá-lo à República de São Marinho, no dia 22 de agosto.
O Papa, eleito a 8 de maio de 2025, já visitou a Espanha (06-12 de junho de 2026); Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial (13-23 de abril de 2026); o Mónaco (28 de março de 2026); e a Turquia e o Líbano, com peregrinação a İznik por ocasião do 1700º aniversário do I Concílio de Niceia (27 de novembro-02 de dezembro de 2025)
O Papa realizou ainda quatro visitas em território italiano, incluindo Lampedusa (4 de julho de 2026), e vai deslocar-se esta quinta-feira a Assis.
(Com Ecclesia e Vatican News)