Papa evoca os 800 anos da morte de São Francisco de Assis

Foto: Vatican Media

O Papa assinalou hoje o oitavo centenário da morte de São Francisco (1181/1182-1226), desafiando a comunidade internacional a construir a paz, inspirada no legado do santo de Assis.

“Enquanto celebramos o ano jubilar franciscano, imploremos com perseverança o dom da paz e comprometamo-nos sinceramente a construir a concórdia entre os povos”, exortou Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação do ângelus.

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o pontífice evocou o percurso do santo de Assis como um “operário que trabalhou com grande fruto na vinha do Senhor”.

“Inspirado pelo Crucificado, Francisco edificou, antes de mais, a sua própria vida sobre o alicerce de Cristo, partilhando a sua pobreza, a sua alegria e os seus sofrimentos, até ao sinal místico dos estigmas”, disse, sob um aplauso da multidão.

O Papa recordou que o próprio Jesus pediu ao jovem de Assis que reparasse a sua Igreja, numa época fustigada por grandes ruturas institucionais.

“São Francisco reparou-a em virtude da fé no Senhor Jesus, sanando as fissuras da discórdia com o testemunho do amor fraterno”, enalteceu o líder da Igreja Católica perante centenas de peregrinos.

“Homem de oração ardente, cheio de caridade para com todos, foi um exemplo para os primeiros frades que partilharam a sua ascese como condição autêntica para a reforma da Igreja.”

Leão XIV sublinhou que a herança espiritual do santo “continua a dar frutos ainda hoje”, evocando a vasta família franciscana espalhada pelo mundo.

A reflexão dominical partiu da parábola evangélica dos vinhateiros homicidas.

“Aquele que veio para trazer a salvação recebe uma condenação”, lamentou o Papa.

Leão XIV referiu que, diante das “crueldades” que assolam o mundo e a história dos povos, o ensinamento de Cristo revela “a misericórdia cada vez maior do seu Pai”.

“O Todo-Poderoso guia a história, socorrendo-nos em todas as nossas quedas: Deus nunca descarta a nossa vida”, acrescentou.

A reflexão deixou uma saudação aos fiéis reunidos no sul de Itália, unindo o Papa espiritualmente à tradicional “Súplica à Virgem do Santo Rosário” no Santuário de Pompeia.

Após a oração, o Papa repetiu o apelo a “rezar o rosário durante este mês de outubro com a intenção especial de que cessem as guerras e se construa a paz”.

Leão XIV recordou a iniciativa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, ‘Um milhão de crianças reza o terço pela paz e pela unidade do mundo’, que ele próprio inaugurou no Vaticano, a 1 de outubro.

“Agradeço de coração a todos os meninos e meninas que, em tantas partes do mundo, se unem a esta oração. Sigamos todos o seu exemplo, invocando a intercessão da Virgem Maria para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra. Em particular, rezemos pela Terra Santa e pelas vítimas inocentes da violência”, prosseguiu.

O pontífice apontou ainda ao encontro de bispos de todo o mundo que se vai iniciar na tarde de 7 de outubro, para assinalar o 10.º aniversário da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’, do Papa Francisco.

“Será um momento de discernimento sinodal para identificar os passos a dar no sentido de anunciar, hoje, o Evangelho com as famílias e as jovens gerações. Confio às vossas orações este compromisso e, sobretudo, as famílias, que, com a ajuda de Deus, são sinal de esperança e uma riqueza inestimável para a Igreja e para a sociedade”, adiantou.

(Com Ecclesia)

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