Capelas acolhem jornadas de catequese centradas nos novos materiais da coleção Emaús

“Não é só uma roupagem nova, é todo um caminho novo”- refere padre Rui Alberto da editora dos Salesianos, uma das entidades implicadas neste projeto renovador que tem a chancela da Conferência Episcopal Portuguesa

Foto: Igreja Açores/CR

A Ouvidoria das Capelas, na ilha de São Miguel, recebe este fim-de-semana uma jornada de formação que reúne cerca de cem catequistas, orientada pelo padre Rui Alberto, sacerdote salesiano e diretor das Edições Salesianas. O encontro permitirá apresentar os novos materiais da coleção EMAÚS – “Raízes”, atualmente em desenvolvimento pelos salesianos em colaboração com o Secretariado Nacional da Catequese.

O projeto surge no contexto da renovação do processo de iniciação cristã promovido pela Conferência Episcopal Portuguesa, que pretende oferecer às comunidades não apenas novos recursos, mas um caminho renovado de catequese, mais próximo da realidade atual e das necessidades das famílias e das crianças.

Em entrevista ao Sítio Igreja Açores, o padre Rui Alberto sublinhou que estes novos materiais representam uma verdadeira renovação e não apenas uma atualização estética: “Os nossos bispos estão a promover uma renovação do processo de iniciação cristã, que passa também por novos materiais para a catequese. E são mesmo novos – não é uma roupagem nova para coisas velhas. O Evangelho é o mesmo, mas os tempos são diferentes.”

O sacerdote destacou, contudo,  que os materiais são importantes, mas não são o centro da catequese.

“O fundamental é a figura daquele adulto crente, o catequista, que ajuda os mais novos a fazer caminho. A formação é essencial para que todos possam crescer e ganhar novas capacidades”, afirma.

Segundo o responsável, a formação que vai desenvolver nas Capelas não será “uma conferência”, mas uma experiência prática: “Vamos meter mãos na massa, conhecer os materiais, a lógica que está por detrás e treinar competências.”

Entre os principais desafios apontados aos catequistas – mais velhos e mais novos – está a necessidade de uma maior atenção aos destinatários, a recuperação da dinâmica de grupo como espaço de fé e de crescimento, e a superação do modelo escolar tradicional, centrado na transmissão unidirecional.

O padre Rui Alberto recordou que a catequese deve ser um itinerário e não apenas um conjunto de anos sucessivos: “A fé cresce num caminho acompanhado. Queremos superar a lógica da aula e ajudar os catequizandos a descobrir, com a mediação do catequista e da comunidade, aquilo que não inventam sozinhos, mas que descobrem vivendo.”

Também apontou a dificuldade das novas gerações em viver o grupo, devido ao contexto individualista reforçado pelo uso intensivo das tecnologias: “Os miúdos vivem muito no ‘eu e o meu telemóvel’. Estar com outros, olhos nos olhos, custa. Mas vale a pena: tem outro sabor e outra qualidade de vida.”

“As novas gerações estão muito formadas, na lógica individualista, as famílias são mais pequenas, entretemos-nos e habituámo-nos a estar com o telemóvel e é aí que sonhamos, fazemos amizades, namoramos, desenhamos, tudo numa lógica de telemóvel, tão fácil, tão imediato. E depois, quando se trata de estar com outros, que pensam diferente, olhos nos olhos, não sabemos estar”, alerta o sacerdote.

“Temos de ser capazes de mostrar que esta vida, do eu com o telemóvel, eu e o meu espelho não é uma vida verdadeira. Por isso, o trabalho de grupo, a recuperação do grupo é fundamental”, remata.

A jornada, que teve a primeira sessão nesta noite de sexta-feira contará com momentos de formação, oração, partilha e celebração, culminando com a Missa de Encerramento este sábado, ao final da tarde.

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