Francisco Maduro Dias alerta: “Sem paz interior e justiça social, não haverá paz no mundo”

Presidente da Comissão Justiça e Paz dos Açores lê e interpreta a Mensagem do Papa Leão XIV para o 59.º Dia Mundial da Paz, apontando guerras, consumismo e desigualdade como os grandes inimigos da paz

Maduro Dias, presidente da Comissão Diocesana Justiça e Paz

Na leitura da Mensagem do Papa Leão XIV para o 59.º Dia Mundial da Paz, em entrevista ao Igreja Açores, programa de rádio que vai para o ar este domingo depois do meio-dia, na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, Francisco Maduro Dias, presidente da Comissão Justiça e Paz dos Açores, lançou um forte apelo à consciência individual e coletiva, sublinhando que a paz não se constrói apenas com o fim das guerras, mas sobretudo com uma profunda transformação interior e social.

Francisco Maduro Dias identificou dois grandes desafios à paz no mundo contemporâneo. O primeiro é evidente e diariamente noticiado: os conflitos armados que marcam várias regiões do globo. O segundo, mais silencioso e muitas vezes ignorado, é o apego excessivo aos bens materiais, ao consumo constante e à lógica de substituição permanente, que gera insatisfação, desigualdade e, em última instância, conflito.

“A paz não é apenas ‘que esteja contigo’, mas ‘que esteja convosco’”, sublinhou, destacando que a verdadeira paz é sempre relacional e comunitária e deve ter sempre em atenção o “nós”.

Para o responsável da Comissão diocesana Justiça e Paz, ninguém consegue dialogar verdadeiramente com o outro sem antes alcançar a paz interior, recordando uma citação de Santo Agostinho que marcou a mensagem papal e que abrevia quase com uma máxima popular: Ninguém pode dar o que não tem”.

Francisco Maduro Dias alertou, ainda, para os riscos de uma sociedade excessivamente mediada pela tecnologia e pelos algoritmos, que promovem a uniformização do pensamento e o isolamento social. Na sua perspetiva, culturas assentes na relação humana direta estarão sempre mais preparadas para construir a paz do que sociedades fechadas no ecrã.

A mensagem do Papa Leão XIV associa de forma clara a paz à justiça social e à dignidade humana. Nesse sentido, Francisco Maduro Dias afirmou que a justiça não pode ser entendida como punição ou condenação, mas como um exercício diário de concórdia – “o meu coração em relação com o coração do outro”. Só quando o outro deixa de nos ver como ameaça é que a paz se torna possível.

Num mundo marcado pela desigualdade e pela exclusão, o entrevistado recordou ainda o pensamento de Paulo VI, para quem “o nome da paz é o desenvolvimento”, reforçando que educação, cultura e gratidão pela vida são pilares essenciais para sociedades mais justas e pacíficas.

“É o desenvolvimento, é a educação, é a cultura. Não é porque o indivíduo tem muito dinheiro ou tem muitas coisas que deixa de ser pobre interiormente ou pode ser tão pobre interiormente como aquele que tem poucas coisas. Nós estamos a falar de coisas, nós não estamos a falar do ser humano” refere o responsável.

“E o ser construtor de paz é ser, eu diria que, se há uma interpretação possível, é o reduzir-se ao mínimo possível esse sentimento permanente em satisfação e acrescentar um sentimento permanente da ação de graças como São Francisco, graças por existir, por ter aqueles irmãos por estarem vivos, graças por estar graças. Porque a maioria das vezes em

A concluir, Francisco Maduro Dias considerou a mensagem do Papa “realista, bela e profundamente inspiradora”, não como uma solução imediata, mas como um guia para a ação concreta de cada pessoa e de cada comunidade.

“A paz começa no interior de cada um, mas só se concretiza quando é vivida em conjunto”, afirmou.

A entrevista do Diretor da Comissão Diocesana Justiça e Paz vai para o ar, na íntegra este domingo e pode ser ouvida em podcast aqui em www.igrejaacores.pt, no Spotify e no Itunes.

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