Pastoral Universitária dos Açores aposta num novo serviço de escuta e reforça ligações nacionais

Serviço de escuta é a grande aposta

Foto: Igreja Açores/NB (Arquivo)

A Pastoral Universitária dos Açores entra no segundo semestre deste ano letivo com uma equipa renovada e com um propósito claro: aprofundar a proximidade com os estudantes. O padre Nuno Pacheco de Sousa, assistente e coordenador, destaca desde logo a novidade mais estruturante: a criação de um serviço de escuta, desenvolvido em articulação com outras áreas da pastoral juvenil e vocacionado para acompanhar, orientar e inserir os jovens “não apenas na vida académica, mas também na própria sociedade açoriana” e que não se limitará à dimensão sacramental.

“Será fundamentalmente de acompanhamento. Algo que possa partir da equipa e, no futuro, quem sabe, de voluntários e até de alguns professores da universidade, se quiserem integrar este serviço”, esclarece o sacerdote.

A proposta é criar um ambiente onde os jovens possam partilhar preocupações, discernir caminhos e encontrar apoio para os desafios emocionais, familiares, espirituais e sociais que acompanham a vida universitária. O padre Nuno reconhece que muitos estudantes chegam ao ensino superior trazendo dúvidas, afastamento das paróquias de origem e necessidade de reencontrar o sentido espiritual no seu percurso académico.

“Queremos começar a trabalhar mais a fundo já neste segundo semestre, com atividades concretas”, explica. Ao seu lado, a equipa integra Filipe Pacheco, que já acompanhava a pastoral juvenil, Márcio Valente estudante da Universidade dos Açores, e ainda dois jovens universitários. A expectativa é simples: alargar o grupo, trazer mais estudantes para dentro da missão e criar um espaço de diálogo para todos.

A renovada Pastoral Universitária não está sozinha neste esforço. Já há contactos estabelecidos com a Missão País, que deverá ter este ano um número maior de jovens açorianos envolvidos, fruto, segundo o padre Nuno, de “um maior entrosamento da pastoral universitária”.

Também a associação Rabo de Peixe Sabe Sonhar, muito ligada ao meio académico nacional, já procurou a Pastoral Universitária dos Açores. Existem conversações para que jovens açorianos possam integrar as colónias de verão e outras iniciativas coordenadas pelo núcleo de São Miguel.

“É um campo muito importante de missão e de formação humana e espiritual. Estamos totalmente disponíveis para colaborar”, reforça.

Os primeiros meses de presença ativa no meio académico permitiram identificar desafios urgentes. O maior, segundo o padre Nuno Pacheco de Sousa, atualmente pároco nas Capelas, é espiritual: “Temos dificuldade em perceber o que os jovens transportam consigo da fé. Faz-nos falta despertar neles a necessidade de um lado espiritual integrado na sua formação universitária.”

A Benção das Pastas, um dos momentos centrais da vida académica, será este ano alvo de uma preparação mais sólida e profunda quer em São Miguel quer na Terceira, durante as respetivas Semanas Académicas.

Para além desse marco anual, a equipa integrar-se-á na celebração de sexta-feira à noite no Convento da Esperança, nas primeiras sextas-feiras de cada mês, em comunhão com os serviços de pastoral juvenil e com a dinâmica do Santuário do Senhor Santo Cristo.

“Não faz sentido dividir o que nasceu para estar junto”, sublinha o padre Nuno Pacheco de Sousa.

O sonho é claro: que a pastoral esteja verdadeiramente presente na vida universitária. O presbítero admite que se conseguir acompanhar 50 estudantes até ao final do ano, já será “motivo de grande alegria”, tendo em conta a realidade dispersa do campus universitário, sobretudo em Ponta Delgada.

A estratégia passa por acompanhar grupos pequenos, criar relações próximas e permitir que “a palavra passe de estudante para estudante”.

No terreno, esta equipa quer estar atenta aos que chegam, aos que procuram ajuda, aos que se afastam, aos que carregam preocupações silenciosas  e sobretudo àqueles que desejam integrar uma comunidade de fé num momento decisivo das suas vidas.

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