Iniciativa envolve um sacerdote especialista em música litúrgica e composição oriundo da Diocese do Porto
A Diocese iniciou hoje, em Rabo de Peixe, uma formação intensiva dedicada ao canto e à música litúrgica, numa iniciativa promovida pelo Serviço Diocesano de Liturgia e pela Escola de Música Sacra. A ação, que hoje reúne coralistas e, na sexta-feira e sábado, na Terceira, será dedicada especialmente a diretores de coro, é orientada pelo Padre Bruno Ferreira, da Diocese do Porto, convidado para aprofundar a compreensão e a prática musical ao serviço da liturgia.
O diretor do Serviço Diocesano de Liturgia e da Escola de Música Sacra, padre Marco Luciano Carvalho, explica que esta formação surge da necessidade crescente de preparar melhor quem serve a música na Igreja.
“O grande objetivo é oferecer formação aos grupos corais paroquiais e também aos formadores da Escola de Música Sacra. Chegou o momento de reforçar este trabalho com aqueles que colaboram nesta área e que precisam de aprofundar o canto litúrgico”, afirma.
O sacerdote sublinha ainda a importância de garantir que a música permaneça enraizada na fé e na espiritualidade da Igreja: “O canto litúrgico é oração. Tem de ser preparado, rezado e vivido. Primeiro olhamos para o texto, rezamos o texto, e só depois passamos à parte musical.”
Uma formação alinhada com o ano pastoral e com os ministérios da Igreja
A proposta formativa acompanha também o tema pastoral que a Diocese vive este ano.
“Depois do ano da esperança, este novo caminho pastoral convida-nos a valorizar cada vez mais os ministérios na Igreja, entre eles o ministério do canto”, refere o padre Marco Luciano, que defende ainda que esta formação dará “pistas importantes para que o canto litúrgico não fique desligado da nossa experiência de fé”.
“Música litúrgica exige fé, conhecimento e serviço”- padre Bruno Ferreira
Responsável por conduzir as várias sessões, que vão da análise histórica à prática coral, o padreBruno Ferreira destaca que a música na liturgia exige muito mais do que competência técnica: “Um diretor musical pode ter excelente formação, mas se não tiver conhecimento da liturgia, não está habilitado a servir a liturgia. É preciso perceber os ritmos litúrgicos, a espiritualidade e viver a fé em comunidade.”
Em Rabo de Peixe, com os coralistas, o sacerdote aborda todo o percurso musical no ciclo litúrgico, da Quaresma à Páscoa. A formação inclui também a prática de quatro cânticos – dois polifónicos e dois gregorianos – próprios deste tempo forte.
Na Terceira, a formação será mais especializada e direcionada a maestros, organistas e compositores.
“Vamos aprofundar o que significa compor para a liturgia, analisar peças, rever a história da música sacra e distinguir entre música sacra, religiosa e litúrgica”, esclareceu.
O Padre Bruno Ferreira recorda que a música tem graus de participação e que é essencial equilibrar bem os papéis do coro e da assembleia: “Nem a assembleia deve estar muda, nem o coro deve cantar tudo e ser protagonista. O coro nasce da assembleia e deve estar integrado nela.”
O sacerdote destaca ainda que o objetivo maior é sempre o mesmo: “Servir a liturgia, glorificar a Deus e favorecer a participação ativa dos fiéis.”
Sobre este tempo de Quaresma, o formador reforça a necessidade de escolher cânticos inspirados na Sagrada Escritura e nas antífonas propostas: “A música deve acompanhar a Liturgia da Palavra e o itinerário catecumenal. Se forem usados cânticos gregorianos, é importante explicar o seu significado, para que também se tornem catequese.”
“Fazer uma boa escolha, ter bons critérios” é “fundamental” acrescenta, ainda o presbítero que estuda composição em Roma.
“Se tivermos bons diretores de coros, bons organistas, bons compositores, pessoas que percebam a liturgia, melhor serviremos” disse ainda, sublinhando que a própria música “também é a liturgia”.
Esta sexta-feira e no sábado, a formação decorrerá no Seminário Episcopal de Angra.






