
O Papa Leão XIV convocou um Ano Jubilar especial dedicado a São Francisco de Assis, a decorrer até 10 de janeiro de 2027, com possibilidade de indulgência plenária, por ocasião dos 800 anos da morte do santo italiano.
“Sua Santidade o Papa Leão XIV, Ministro da nossa fé e da nossa alegria, estabelece que, a partir de 10 de janeiro de 2026, em concomitância com o encerramento do Jubileu Ordinário, até 10 de janeiro de 2027, seja convocado um Ano especial de São Francisco, no qual cada fiel cristão, seguindo o exemplo do Santo de Assis, se torne ele próprio modelo de santidade de vida e testemunha constante da paz”, refere o decreto, publicado hoje pela Penitenciaria Apostólica (o tribunal do Vaticano que regula as questões das indulgências).
O texto, publicado hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé, apresenta este ano especial como uma “continuação ideal” do Jubileu de 2025, que acaba de terminar.
O decreto cita Dante para definir Francisco de Assis como um “sol” que nasceu para o mundo numa época também ela marcada por “guerras ditas santas” e “fervor religioso mal interpretado”, apresentando-o como modelo de “zelo e fervor de caridade ativa” para a contemporaneidade.
O decreto sublinha a atualidade da mensagem do “Pobre de Assis” (1181/82 – 1226) num contexto global marcado por crises.
“Quando o virtual toma o lugar do real, as discórdias e a violência social fazem parte do quotidiano e a paz se torna cada dia mais insegura e distante, que este Ano de São Francisco nos incentive a todos (…) a imitar o pobre de Assis”, pode ler-se no texto assinado pelo cardeal Angelo De Donatis, penitenciário-mor.
O Vaticano recorda que este centenário é o culminar de um ciclo que celebrou, nos últimos anos, os 800 anos do primeiro Presépio (Greccio), do Cântico das Criaturas e dos Estigmas de São Francisco.
A indulgência plenária – que, na doutrina católica, significa a remissão total das penas temporais devidas pelos pecados já perdoados em confissão – pode ser obtida por todos os fiéis que visitem uma igreja franciscana ou um local de culto ligado ao santo, em qualquer parte do mundo.
Para obter esta graça, os católicos devem cumprir as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa) e participar nos ritos jubilares ou dedicar um tempo à meditação, concluindo com a oração do Pai Nosso, o Credo e invocações à Virgem Maria e a São Francisco.
A Penitenciaria Apostólica acautela a situação dos idosos, doentes e todos os que, por motivos graves, não podem sair de casa: estes poderão obter igualmente a indulgência plenária unindo-se espiritualmente às celebrações e oferecendo os seus sofrimentos a Deus.
No passado dia 10, o Papa enviou uma mensagem aos ministros gerais da Família Franciscana, por ocasião da abertura do VIII Centenário da morte de São Francisco de Assis, afirmando que ele “continua a falar” e a ser “a fonte autêntica da paz”.
“Nesta época, marcada por tantas guerras que parecem intermináveis, por divisões internas e sociais que criam desconfiança e medo, ele continua a falar. Não porque oferece soluções técnicas, mas porque a sua vida indica a fonte autêntica da paz”, referiu o Papa numa carta divulgada hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
Leão XIV lembrou que “a visão franciscana da paz não se limita às relações entre os seres humanos, mas abrange toda a criação”, que “reconhece em cada criatura um reflexo da beleza divina”
“Esta intuição ressoa com particular urgência no nosso tempo, quando a casa comum está ameaçada e geme sob a exploração. A paz com Deus, a paz entre os homens e com a Criação são dimensões inseparáveis de um único apelo à reconciliação universal”, sublinhou.
A abertura das comemorações do oitavo centenário da morte do criador do Cântico das Criaturas decorreu este sábado, com uma celebração na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, onde nasceu o fundador da Família Franciscana em 1981.
“Que o exemplo e a herança espiritual deste Santo, forte na fé, firme na esperança e ardente na caridade ativa para com o próximo, suscite em todos a importância de confiar no Senhor, de se dedicar a uma existência fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com a fé e com a oração todas as circunstâncias e ações da vida”, afirmou o Papa.
(Com Ecclesia e Vatican News)