Ouvidoria da Horta aposta na criação de unidades pastorais efetivas e no primeiro anúncio para renovar a Igreja no Faial

A renovação das equipas pastorais, a centralidade do batismo e a construção de uma Igreja mais unida e corresponsável marcam o caminho pastoral da Ouvidoria da Horta. As ideias foram partilhadas pelo padre Marco Martinho, novo ouvidor da Horta

Foto: Padre Marco martinho, ouvidor da Horta deu as boas-vindas

A entrevista, que vai para o ar este domingo, depois do meio-dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, ficando igualmente disponível em podcast no sítio Igreja Açores, surge no contexto da implementação da Carta Pastoral apresentada a 3 de novembro, em conjunto com o projeto pastoral diocesano, documento que orienta a vida da Diocese de Angra neste primeiro triénio rumo à celebração dos 500 anos da Diocese, em 2034. Segundo o padre Marco Martinho, esse foi um momento decisivo para os agentes pastorais da ilha do Faial, permitindo um primeiro contacto estruturado com as orientações do bispo de Angra e abrindo caminho à sua concretização prática.

Entre as prioridades destacadas está a aposta clara na formação e no “primeiro anúncio”, com especial atenção ao batismo. A criação e dinamização das equipas dos Centros de Preparação para o Batismo (CPB), agora organizadas a nível da ouvidoria, são um dos sinais concretos desse caminho. Estas equipas, algumas delas renovadas, já iniciaram os primeiros passos e terão um papel ativo ao longo do ano pastoral, incluindo no acompanhamento de casais que se preparam para o matrimónio e de adultos que procuram os sacramentos da iniciação cristã.

A Quaresma será um tempo particularmente forte neste percurso, com a preparação de adultos para o batismo, a confirmação e o crisma, culminando em celebrações presididas pelo bispo diocesano no final de maio. Para o ouvidor da Horta, estes processos revelam uma crescente abertura dos fiéis a um trabalho pastoral mais exigente, comunitário e consciente, que ultrapassa a lógica de iniciativas isoladas por paróquia.

Outro eixo fundamental sublinhado na entrevista ao programa de rádio Igreja Açores, na sequência das entrevistas que o programa está a fazer aos ouvidores, é a reorganização pastoral da ilha, marcada pela criação de unidades pastorais. Num contexto de diminuição do número de sacerdotes — atualmente cinco para cerca de 14 mil habitantes no Faial —, o padre Marco Martinho defende que o futuro passa necessariamente pelo trabalho em conjunto, pela partilha de serviços e pela centralização de equipas pastorais que depois atuem no terreno. Um dos primeiros passos dados foi a realização de encontros conjuntos de pais no início da catequese, já numa lógica de unidade pastoral, como aconteceu por exemplo na cidade.

A renovação completa da equipa sacerdotal do Faial, ocorrida em setembro, é vista como um sinal de esperança. O ouvidor destaca o acolhimento positivo das comunidades e o clima de confiança e afeto que se tem vindo a construir.

“Reuniões regulares da equipa sacerdotal permitem articular melhor os vários setores da pastoral e dar respostas mais coerentes aos desafios atuais da Igreja na ilha”, afirma numa entrevista que vai para o ar este domingo, depois do meio-dia no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores.

A entrevista abordou ainda a importância da sinodalidade, uma das ideias transversais da Carta Pastoral. Para o padre Marco Martinho, a Horta “reúne boas condições para aprofundar uma Igreja verdadeiramente corresponsável, apoiada em conselhos pastorais e económicos ativos, com forte envolvimento dos leigos”. Recorda, aliás, o longo historial da ilha neste domínio, reforçado em momentos marcantes como o pós-sismo de 1998.

No campo da juventude, reconhece-se o desafio da mobilidade dos jovens que saem da ilha para estudar, mas também o papel relevante do Corpo Nacional de Escutas, com seis agrupamentos no Faial, e de outros movimentos que continuam a ser espaços de referência e de despertar vocacional.

Regressado à sua ilha natal após 25 anos de ministério no Pico, o padre Marco Martinho afirma que o seu maior desejo, enquanto ouvidor, é fortalecer a unidade da equipa sacerdotal, acreditando que esse testemunho será determinante para a unidade das comunidades.

“Apesar das diferenças, conseguimos viver a unidade em favor do povo que servimos”, sublinha, apontando a comunhão como o maior serviço que a Igreja pode oferecer ao Faial neste tempo.

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