Documento foi assinado em Abu Dabi, a 4 de fevereiro de 2019 pelo Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar, Sheikh Ahmed El-Tayeb

Assinala-se este ano o 7.º aniversário da assinatura da Declaração “Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum”, um documento histórico assinado em 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, peloPapa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar, Sheikh Ahmed El-Tayeb. Para marcar esta data, a sub comissão da Conferência Episcopal para o Diálogo Inter-religioso realiza esta terça-feira um encontro às 15h00, no Convento de São Francisco, em Coimbra, dedicado à reflexão sobre o significado e a atualidade desta Declaração.
A iniciativa reúne personalidades de referência no pensamento religioso, académico e diplomático, contando com as intervenções do Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém (por videoconferência), do Professor Adnane Mokrani, Professor de Teologia Islâmica na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), da Professora Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa, e do Embaixador António de Almeida-Ribeiro, Secretário-Geral Interino do KAICIID. O comentário final estará a cargo de Pedro Vaz Patto, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, informa uma nota enviada ao Sítio Igreja Açores.
O Documento sobre a Fraternidade Humana, assinado em Abu Dabi, reafirma a importância do diálogo inter-religioso como instrumento essencial para a construção de sociedades mais justas, pacíficas e inclusivas. Sete anos após a sua assinatura, o texto mantém plena atualidade num mundo marcado por conflitos armados, desigualdades sociais, intolerância religiosa e crises humanitárias.
Na introdução, a Declaração recorda que a fé leva o crente a reconhecer no outro um irmão ou uma irmã, chamados a ser apoiados e amados. Partindo da fé em Deus, Criador de todos os seres humanos iguais em dignidade, o Documento apela à proteção da criação, ao cuidado com os mais pobres e vulneráveis e à responsabilidade comum face aos sofrimentos do mundo contemporâneo. O texto nasce de um percurso de encontros fraternos e de uma leitura crítica da realidade atual, marcada por avanços científicos e tecnológicos, mas também por pobreza, violência, injustiça, extremismo e decadência moral.
Ao longo do Documento, a fraternidade humana é afirmada como fundamento das relações entre pessoas e povos. Em nome de Deus, da vida humana inocente, dos pobres, dos refugiados, das vítimas da guerra e de todas as pessoas de boa vontade, os signatários defendem a cultura do diálogo como caminho, a cooperação mútua como método e a compreensão recíproca como princípio orientador. O texto rejeita de forma clara a instrumentalização da religião para justificar violência, terrorismo, ódio ou discriminação, sublinhando que tais práticas resultam do desvio dos autênticos ensinamentos religiosos.
A Declaração afirma ainda princípios centrais como a liberdade de consciência e de crença, a igualdade de direitos e deveres na cidadania, a justiça baseada na misericórdia e o respeito pela diversidade religiosa, cultural e étnica, entendida como expressão da sabedoria divina. Destaca, sobretudo, o papel das religiões na promoção da paz, na defesa da dignidade humana, na proteção da família, das crianças, das mulheres, dos idosos e dos mais vulneráveis, bem como na rejeição de todas as formas de extremismo e fanatismo.