Portugueses chamados às urnas para a segunda volta das presidenciais este domingo

O Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) apelou à participação dos cidadãos na segunda volta das eleições presidenciais, marcada para o próximo dia 8 de fevereiro, sublinhando a importância do voto como expressão de compromisso cívico e defesa do bem comum. O apelo foi divulgado no seguimento da apresentação pública da Carta Ecuménica, subscrita pelas Igrejas cristãs ecuménicas em Portugal.
Num comunicado datado de 29 de janeiro de 2026, em Vila Nova de Gaia, o COPIC recorda que o Presidente da República é o principal garante da Constituição e um promotor da unidade nacional, destacando a necessidade de que o próximo chefe de Estado seja um defensor do diálogo, do consenso e da coesão social.
O organismo ecuménico enfatiza ainda a relevância da liberdade religiosa como direito fundamental, defendendo que o futuro Presidente da República continue a promover o diálogo inter-religioso e uma visão ecuménica capaz de fomentar a paz e a cooperação entre os povos.
No atual contexto social marcado pelos fluxos migratórios, o COPIC reafirma os princípios da Carta Ecuménica, salientando “a dignidade e os direitos de cada ser humano e a riqueza da diversidade cultural e religiosa”. Nesse sentido, apela à resistência à xenofobia e condena as representações negativas dos migrantes, alertando para a existência de discursos de ódio proferidos por alguns agentes políticos.
O Conselho sublinha que a democracia é um processo em permanente construção e que o exercício do direito de voto é essencial para a defesa dos direitos humanos e das conquistas alcançadas ao longo de 52 anos de democracia em Portugal.
Também no contexto da campanha presidencial, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) manifestou-se contra a instrumentalização dos valores cristãos para fins políticos, criticando a associação desses valores a discursos de ódio e discriminação. Em nota enviada ao Sítio Igreja Açores a CNJP alerta para estratégias que procuram captar eleitores através de causas identitárias, relativizando princípios fundamentais do Evangelho, como o amor ao próximo.
A CNJP reforça que a identidade cristã deve estar indissociavelmente ligada aos valores da solidariedade, da justiça, da verdade e da paz, sublinhando que a política, enquanto forma elevada de caridade, não pode promover divisão nem exclusão.
Este posicionamento surge em consonância com outros apelos recentes das Igrejas cristãs. A Conferência Episcopal Portuguesa já havia incentivado a participação eleitoral, destacando o voto como um sinal de corresponsabilidade democrática e serviço ao bem comum, mesmo em contextos de discordância em relação às opções apresentadas.