Eucaristia solene foi presidida pelo deão, cónego João Maria Mendes

A Catedral viveu um momento de ação de graças pelos 11 anos do restabelecimento do seu Cabido, depois de mais de duas décadas de inatividade. A celebração foi marcada pela oração de Vésperas seguida da Eucaristia solene, durante a qual o cónego do Cabido, Monsenhor José Constância, proferiu a homilia, centrada na presença de Cristo e na missão da Igreja à luz do exemplo de Maria.
Partindo do Evangelho das Bodas de Caná, o pregador recordou que é na vida concreta das famílias e das comunidades que Jesus manifesta a sua glória. Tal como na festa de casamento onde a falta de vinho foi sinal de necessidade, também hoje Maria continua atenta às carências do povo de Deus.
Monsenhor José Constância sublinhou a atitude da Mãe de Jesus, que indica o caminho seguro para todos os discípulos: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Nesta expressão, afirmou, encontra-se um verdadeiro programa de vida cristã, válido para cada fiel e também para o serviço próprio do Cabido catedralício.
O cónego destacou que a presença de Cristo transforma a realidade humana, tal como a água se converteu em vinho. Onde Cristo está, disse, “renova-se a esperança, fortalece-se a fé e abre-se um horizonte novo para as comunidades”.
Ao recordar a devoção mariana ao longo da história da Igreja- hoje assinala-se Nossa Senhora de Lourdes- , evocando santuários e lugares de peregrinação onde os fiéis procuram consolo e renovação espiritual, o pregador lembrou que Maria não substitui Cristo, mas conduz sempre a Ele, ajudando os crentes a viverem em fidelidade ao Evangelho.
Num olhar particular para a Igreja diocesana e para a Catedral, convidou todos a caminharem em unidade, preparando o futuro com gratidão pelo passado e responsabilidade pelo presente. A missão do Cabido, salientou, “é servir, rezar e manter viva a dignidade da celebração litúrgica, sendo sinal de comunhão para todo o povo”.
A concluir, confiou à intercessão de Nossa Senhora a vida da diocese, pedindo que fortaleça os fiéis na justiça, na esperança e no seguimento de Cristo.
O Cabido foi restabelecido a 11 de fevereiro de 2015, com a tomada de posse de 13 cónegos nomeados segundo os estatutos promulgados pelo então bispo de Angra, D. António Sousa Braga, pondo fim a um intervalo de 15 anos sem nomeações.
Durante esse período, o prelado diocesano promoveu a revisão do enquadramento estatutário, permitindo, entre outros aspetos, a designação de cónegos capitulares residentes fora da ilha Terceira.
Com os novos estatutos, o Cabido, cuja missão era sobretudo litúrgica, passou também a assumir a função de Conselho de Ordens e Ministérios e reforçou o seu papel como órgão de consulta do bispo diocesano nas matérias em que este entenda ouvir os seus membros, mantendo-se em funções o Colégio de Consultores.
No decreto episcopal que determinou o restabelecimento, D. António Sousa Braga justificou a alteração com a “necessidade de o adaptar às circunstâncias atuais”, considerando “conveniente restabelecer um número razoável de membros do Cabido”, com as funções previstas no direito canónico.
O anúncio da restauração do Cabido foi feito a 3 de novembro de 2014, durante a celebração dos 480 anos da criação da Diocese de Angra, instituída pela bula Equum Reputamus, assinada pelo Papa Paulo III em 1534.





