Papa propõe “jejum” de palavras ofensivas e maior escuta do “clamor dos oprimidos”

Foto: Vatican Media

O Papa apelou na sua mensagem de Quaresma, divulgada hoje, à “abstinência de palavras” que ferem o próximo, propondo maior atenção a quem sofre.

“Gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo”, escreve Leão XVI, numa mensagem intitulada ‘Escutar e Jejuar. A Quaresma como tempo de conversão’.

No texto divulgado pela Santa Sé e enviado aos jornalistas, o pontífice sublinha a necessidade de desarmar a linguagem, na sociedade contemporânea.

“Peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro”, escreve o Papa.

“Esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”

O texto apresenta o jejum como uma prática que deve ir além da privação de alimentos, servindo para “ordenar os ‘apetites’, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo”.

O Papa destaca igualmente a centralidade da escuta, definindo-a como o “primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”, a exemplo de Deus que escuta o clamor do seu povo.

“Escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça”, refere Leão XIV.

O Papa sustenta que a condição dos pobres representa um apelo constante à vida da Igreja e aos sistemas políticos e económicos, pedindo que as comunidades cristãs sejam lugares de acolhimento.

“Comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor”, apela.

A dimensão comunitária da Quaresma é outro dos pontos centrais do documento, com o Papa a lembrar que a conversão abrange o “estilo das relações” e a “qualidade do diálogo”.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado”, indica.

A Quaresma, período de 40 dias de preparação para a Páscoa, começa na Quarta-feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro; a celebração da Páscoa ocorrerá a 5 de abril de 2026.

(Com Ecclesia e Vatican Media)

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