Ano Santo Franciscano assinalado na Procissão do Senhor Santo Cristo dos Terceiros

Ouvidor da Ribeira Grande preside à celebração

Foto: Cinco encapuzados na procissão do Santo Cristo dos Terceiros/IA/CR

A cidade da Ribeira Grande prepara-se para viver, no próximo domingo, 22 de fevereiro, a festividade em honra do Senhor Santo Cristo dos Terceiros, este ano particularmente marcada pelo Ano Santo Franciscano, que convida os fiéis a aprofundar a espiritualidade inspirada por São Francisco de Assis.

A celebração terá início pelas 16h00 com uma solene eucaristia presidida pelo padre Carlos  Simas, na Igreja do antigo convento dos Frades, edifício que atualmente acolhe o Museu Vivo do Franciscanismo. Pelas 17h00 sairá a tradicional procissão, na qual a Imagem do Senhor Santo Cristo dos Terceiros será o principal dos dez andores que integram o cortejo, informa uma nota enviada ao Sítio Igreja Açores pela Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, entidade que custodia a organização desta festa.

Os andores evocam episódios marcantes da vida de São Francisco e dos santos da Ordem Terceira, sublinhando o espírito de pobreza, penitência e fraternidade que caracteriza o carisma franciscano. Neste contexto de Ano Santo Franciscano, a procissão assume um significado ainda mais profundo, sendo ocasião de renovação espiritual e testemunho público de fé.

A organização pertence à Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, que cumpre o seu Compromisso de realizar esta celebração no primeiro domingo da Quaresma. A instituição destaca a importância de preservar esta tradição secular, considerada um valioso Património Cultural Imaterial que enriquece a identidade religiosa e cultural da Ribeira Grande e dos Açores.

Este ano, a procissão volta a integrar um grupo de encapuzados, numa recriação histórica de um ritual que terminou nos finais do século XIX. A prática de “tomar a disciplina” pelos Irmãos Terceiros incluía o açoitamento e a autoflagelação pública, bem como o uso simbólico de crânios humanos, coroas de espinhos e cruzes — elementos comuns nas manifestações penitenciais dos séculos XVII e XVIII, condizentes com o seu carácter penitente.

Participam nesta venerável procissão diversos movimentos paroquiais da Ouvidoria da Ribeira Grande, incluindo representações de ranchos de romeiros, bombeiros voluntários, escoteiros e filarmónicas do concelho, num testemunho coletivo que une tradição, memória histórica e vivência da fé franciscana.

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