Congresso nacional extraordinário do Movimento de Trabalhadores Cristãos, que decorre em Coimbra, elegeu também Ricardo Coelho vice-coordenador

A Liga Operária Católica/Movimento dos Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) elegeu, este sábado, em Coimbra, no congresso nacional extraordinário, Fátima Pinto, da Arquidiocese de Braga, como nova coordenadora do movimento.
Para vice-coordenador, os participantes do congresso elegeram Ricardo Coelho, da Diocese de Coimbra, que vão exercer os cargos ao “próximo congresso nacional a realizar em junho de 2028”, refere uma nota enviada à Agência Ecclesia.
Em declarações à Agência ECCLESIA, Américo Monteiro, o anterior coordenador nacional da LOC/MTC alertou para as condições do novo pacote laboral que o Governo quer implementar.
“É um desafio preocupante, nós vamos porventura tomar até posição sobre essa questão, na medida em que cada vez se dá menos valor ao trabalho e aos trabalhadores”, Américo Monteiro adverte para “a precariedade” e “os salários que não chegam” para o aumento do custo de vida.
Além disso, contesta ainda “a desregulação de horários ou de ritmos de trabalho cada vez mais puxados, cada vez mais exagerados”, quando “a maquinaria, o futuro, a inteligência artificial deveriam vir favorecer a vida dos trabalhadores”, indicando que na “produção isso não tem acontecido muito”.
Américo Monteiro liderou a LOC/MTC desde 2019 e recorda que, ao longo destes anos, procurou proporcionar mais formação de animadores, de militantes, “para uma cidadania que hoje no país é muito baixa”.
“Eu iniciei o meu trabalho e passado pouco tempo tivemos a pandemia da Covid. Para grupos, comunidades de pequenos grupos cristãos que se reúnem periodicamente, foi uma situação muito complicada. Depois tivemos também a situação económica, da guerra, etc., e isso repercute-se tudo na vida dos trabalhadores”, lembrou.
O responsável considera que “hoje em dia as pessoas estão muito mais individualistas”, que há menos disponibilidade para a escuta, para o diálogo, destacando que o esforço da LOC/MTC “é contrariar essas tendências” que a sociedade “impõe” ou “força a seguir”.
“Procuramos fazer um trabalho humilde com os grupos que temos, pessoas já com bastante idade, tentar renovação”, explicou, referindo que, apesar não haver “grandes apoios” para este tipo de organizações, realizaram-se “boas dinâmicas de grupo”.
Américo Monteiro destaca a dignificação do trabalho e dos trabalhadores como um traço da LOC/MTC, realçando que essa é uma “prioridade de sempre” que é muito frequente aparecer.
«Evangelizar, dignificando o mundo do trabalho» é o lema assumido no XIX Congresso Nacional da LOC/MTC para estes 3 anos, na perspetiva de se continuar a escutar o “grito dos pobres e o grito da terra” em busca de, em conjunto, se contribuir para a edificação de um mundo melhor e mais justo em especial para os mais desfavorecidos.
Este movimento operário católico é assistido pelo padre açoriano Pedro Lima.