Escritor açoriano reflete sobre a paternidade no programa de rádio Igreja Açores, numa entrevista especial que vai para o ar este domingo, no âmbito das comemorações do Dia do Pai

Pai pela primeira vez aos 48 anos, Joel Neto fala das mudanças que os filhos trouxeram à sua vida e defende uma educação baseada no amor, na responsabilidade e na consciência das limitações dos pais. O escritor açoriano, agora com 52 anos, considera que a principal mudança que a paternidade trouxe à sua vida foi a redefinição das prioridades e a consciência do dever que os pais têm perante os filhos.
Em entrevista ao programa de rádio Igreja Açores, que será transmitida este domingo no âmbito das comemorações do Dia do Pai, assinalado a 19 de março, o autor sublinha que os filhos não devem ser vistos como propriedade.
“Os nossos filhos não são a nossa propriedade. Não temos direitos sobre os nossos filhos, temos deveres sobre os nossos filhos”, afirma, defendendo que a missão dos pais passa sobretudo por preparar as crianças para a vida e ajudá-las a desenvolver autonomia.
Pai de dois filhos pequenos, Joel Neto reconhece que a experiência trouxe mudanças profundas.
“É fácil dizer que mudou tudo: mudaram as rotinas, mudaram as prioridades, mudou o propósito”, refere, acrescentando que a chegada dos filhos lhe trouxe também “uma paz infinita”, algo que admite não ter sido capaz de antecipar antes de viver essa experiência.
Ao longo da conversa, o escritor assume-se como um pai “bastante maduro”, mas rejeita a ideia de que a idade traga automaticamente maior sabedoria na educação dos filhos. Pelo contrário, considera que a paternidade é um processo permanente de aprendizagem.
“Isto é um trabalho em curso, que se vai aprendendo à medida que se vai experimentando e cometendo erros”, diz.
Nesse sentido, alerta que os pais enfrentam um desafio particular: tornam-se pais e mães sem qualquer formação formal.
“Nós tornamo-nos pais sem qualquer formação. Não há guia de instruções- e, se há, talvez seja mais avisado não lhe dar demasiada importância, porque cada caso é um caso”, sublinha.
Por outro lado, acredita que há princípios fundamentais que devem orientar a educação. Entre eles destaca a importância de dar às crianças ferramentas emocionais para enfrentar a vida.
“Quero que os meus filhos tenham autoestima, que se sintam amados e seguros. Quero que sejam capazes de amar o outro, de exercer compaixão e de ser empáticos”, explicita.
Num mundo em rápida transformação, marcado pela tecnologia e por novos desafios, o escritor considera que educar exige também uma reflexão constante e uma adaptação às novas realidades. Ainda assim, defende que os valores essenciais continuam a ser o melhor ponto de partida para orientar as crianças.
Joel Neto, natural da ilha Terceira, é um romancista e colunista português, vencedor do Grande Prémio de Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores 2019. Escreveu em diferentes géneros e começou por atingir o topo das tabelas de vendas com Arquipélago (romance, 2015) e A Vida no Campo (diário, 2016). Está representado no Plano Nacional de Leitura, com dois títulos, e no Plano Regional de Leitura dos Açores, com seis. O seu mais recente romance é Meridiano 28. Trabalhou para a maior parte dos grandes jornais portugueses como repórter, editor e colunista. Depois de vinte anos em Lisboa, regressou em 2012 aos Açores, no intuito de se dedicar inteiramente à literatura.
A entrevista, na íntegra, pode ser ouvida no programa de rádio Igreja Açores que vai para o ar este domingo na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, a partir do meio-dia e fica igualmente disponível em podcast no Sítio Igreja Açores , no Spotify e no Itunes.