Papa recusa ideia de fé como “salto no escuro” ou alienação

Foto: Vatican Media

O Papa rejeitou hoje, no Vaticano, que a fé represente uma renúncia à razão, apelando à atenção dos católicos para as situações de injustiça e de sofrimento global.

“Chama a atenção que se tenha difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de ‘salto no escuro’, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar ‘cegamente’”, referiu Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, onde reside desde este sábado.

Antes da recitação do ângelus, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o pontífice partiu do relato evangélico da cura de um cego de nascença para abordar a perspetiva do que significa acreditar, recusando a ideia da religião como alienação.

“Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um cristianismo de olhos abertos. A fé não é um ato cego, uma renúncia à razão, um refúgio em alguma certeza religiosa que nos faz desviar o olhar do mundo.”

O Papa assinalou que a aproximação à mensagem cristã exige uma atitude atenta à realidade e de recusa de zonas de conforto.

“Hoje, em particular, face às inúmeras questões que o coração humano se coloca e às dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que nos abra os olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade”, apelou.

Leão XIV referiu-se ainda ao mistério da salvação, através da simbologia, da luz e da incapacidade humana de compreender os acontecimentos de forma isolada.

“Realmente, todos podemos dizer que somos cegos de nascença, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida”, indicou.

(Com Ecclesia)

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