Papa alerta para agravamento da violência no Médio Oriente e pede regresso às negociações

Foto: Lusa/EPA

O Papa alertou hoje para o aumento da violência no Médio Oriente, pedindo o regresso às negociações e ao fim das “decisões unilaterais”.

“Renovo o meu apelo relativamente às situações em todo o Médio Oriente, onde a intensificação das operações militares trouxe de novo violência e destruição, colocando gravemente em risco a vida de numerosos civis e agravando a escassez de água potável e eletricidade”, declarou Leão XIV, após presidir à recitação do ângelus na localidade italiana de Castel Gandolfo, onde se encontra a passar um período de férias.

A guerra no Médio Oriente começou a 28 de fevereiro com uma campanha de bombardeamentos israelo-americanos contra o Irão, causando milhares de mortos.

Um memorando de entendimento foi assinado a 17 de junho entre EUA e Irão, mas o cessar-fogo previsto foi interrompido em menos de um mês.

“Do fundo do coração, exorto todas as partes envolvidas a suspender os ataques e a reabrir com urgência espaços de diálogo e diplomacia, para se chegar o quanto antes à paz tão desejada para toda a região”, apelou o Papa.

Leão XVI manifestou ainda “apreensão”, perante o agravamento da violência na Terra Santa, “da qual foram vítimas ultimamente, também, muitos civis na Cisjordânia e em Gaza”.

“Dirijo um veemente apelo para que se volte a negociar uma justa solução política, fundada na paridade e na igualdade de direitos de todo o ser humano, e para que se rejeitem novas ações militares e decisões unilaterais, em particular aquelas que violam o respeito e o status quo dos lugares santos de cada fé religiosa”, declarou.

O Papa convidou a rezar por todos os povos que “sofrem por causa da guerra”.

“Que o Senhor toque os corações e ilumine as mentes dos responsáveis, para que se chegue em breve à reconciliação e à paz”, acrescentou.

A intervenção aludiu à beatificação do patriarca maronita Elias Boutros Hoyek (1843-1931), que se celebrou este sábado, no Líbano.

“Homem de diálogo e de esperança, foi um luminoso ponto de referência eclesial, social e político, a ponto de ser chamado ‘Pai do Grande Líbano’. Que a oração e a intercessão do novo beato acompanhem sempre os fiéis maronitas em todo o mundo e obtenham o dom da paz para todo o povo do Líbano, tão querido para mim”, disse Leão XIV.

A saudação final recordou as vítimas dos “devastadores incêndios que, nestes dias, atingiram várias localidades de França e de Espanha”.

“Manifesto a minha proximidade e convido todos a rezar pelas pessoas afetadas e pelo trabalho dos socorristas”, concluiu o Papa.

( Com Ecclesia)

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