
O Papa apelou hoje aos católicos para rejeitarem uma vivência espiritual baseada no conformismo, falando durante a recitação dominical do ângelus.
“Aprendamos a não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo”, pediu Leão XIV aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
“Por vezes, no que diz respeito à fé cristã, contentamo-nos com o que ‘ouvimos dizer’, com os lugares-comuns, com aquilo que nos foi transmitido, mesmo que com boa intenção”, acrescentou, falando desde a janela do apartamento pontifício.
O Papa considerou que a vida cristã implica uma “resposta pessoal” e a vontade de conhecer Jesus “de perto”, vencendo a “tentação de pensar que já se sabe tudo” e de” transformar a fé num costume”.
“Isto é válido tanto para o nosso percurso pessoal como para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos”, alertou Leão XIV.
“No âmbito da nossa vida, podemos avaliar se, para nós, o Senhor Jesus é apenas uma grande figura da história que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo de Deus, aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa vida e o mundo em que vivemos”, disse.
A reflexão destacou que a verdadeira amizade com Deus se traduz num “encontro sempre novo” que pode levar a “percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes”.
“A fé não nos é dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos constantemente de redescobrir o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas da nossa vida”, apontou o pontífice.
Após a recitação do ângelus, Leão XVI saudou os grupos presentes no Vaticano, evocando o 10.º aniversário do terramoto que atingiu o centro de Itália, a 24 de agosto de 2016.
“Rezo pelos falecidos, pelas suas famílias e por todas as comunidades afetadas. Que a fé e a solidariedade continuem a sustentar a obra de reconstrução”, pediu.
Antes, Leão XIV apelou à intervenção da comunidade internacional para travar o surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), que se tem vindo a agravar.
“Nas minhas orações, recordo frequentemente a República Democrática do Congo, em particular devido à propagação da epidemia de Ébola, que, infelizmente, está a causar muitas vítimas”, disse, após a recitação da oração do ângelus, no Vaticano.
Leão XIV pediu “uma resposta por parte da comunidade internacional”, que “envolva também as comunidades locais no trabalho de prevenção para salvar tantas vidas humanas”.
O surto de Ébola na RDC provocou mais de 2500 mortes e está a espalhar-se de forma exponencial, alertou esta sexta-feira o coordenador sénior das Nações Unidas para a doença, Julien Harneis.
A epidemia é provocada pela espécie Bundibugyo do vírus, para a qual não existem atualmente vacinas ou tratamentos aprovados.
O atual surto é o 17.º de Ébola registado no Congo e tornou-se, no final de julho, o maior da história do país em número de casos.
O Papa mostrou-se “igualmente próximo da população da República Centro-Africana, que chora as vítimas do desabamento ocorrido numa mina em Zamboye”, a 18 de agosto.
O deslizamento de terra ocorrido numa mina artesanal de ouro, no oeste da República Centro-Africana, provocou pelo menos 100 mortos.
“Que o Senhor acolha todos aqueles que perderam a vida e apoie o empenho em garantir a segurança e a legalidade dos locais de exploração mineira”, apelou Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício.
(Com Ecclesia)