
As autoridades estatais e a Igreja Católica de Timor Leste acolheram os restos mortais de três antigos prelados do país, concretizando a trasladação desde Portugal das figuras que acompanharam este território durante a guerra e a ocupação indonésia.
“Nos momentos mais sombrios da nossa história e da nossa luta, eles tornaram-se a voz de quem não tem voz”, afirmou o cardeal Virgílio do Carmo da Silva, durante a celebração de receção das urnas de D. Jaime Garcia Goulart, D. José Joaquim Ribeiro e monsenhor Martinho da Costa Lopes, ao recordar a defesa da autodeterminação timorense e da dignidade humana.
O arcebispo de Díli sublinhou, esta terça-feira, que a comunidade católica recebeu as urnas com um “coração repleto de alegria, gratidão e comoção espiritual”, classificando a cerimónia como um marco histórico para reafirmar a identidade religiosa e nacional.
“Permaneceram firmemente ao lado de quantos sofriam no meio das dificuldades e da violência da guerra”, testemunhou o cardeal sobre o legado deixado pelos responsáveis diocesanos.
As celebrações prosseguiram com uma Eucaristia em Tasi-Tolu, onde o presidente da Conferência Episcopal Timorense referiu à assembleia que os três pastores “hoje regressam a Timor não fisicamente, mas espiritualmente”.
“Pedimos desculpa pelos pecados e falhas cometidos contra eles e a sua herança”, declarou D. Norberto do Amaral, citado pelo portal de notícias do Vaticano.
A trasladação dos restos mortais dos prelados contou com uma celebração em agosto, na Arquidiocese de Évora, presidida pelo núncio apostólico antes da partida definitiva de solo português. Já antes tinha havido uma celebração presidida pelo bispo de Angra, na igreja Matriz da Horta, para a transladação dos restos mortais de D. Jaime Garcia Goulart. O roteiro de homenagens no território asiático integrou ainda a atribuição do nome de monsenhor Martinho da Costa Lopes à ponte de Manatuto.
A inumação, que concretiza um desejo há muito acalentado pelas estruturas eclesiais locais, está agendada para 10 de setembro na Catedral de Díli, onde os três responsáveis que lideraram a diocese entre 1941 e 1983 vão ser sepultados junto do antigo bispo D. Alberto Ricardo da Silva.
(Com Ecclesia e Vatican News)

