Livro de António Pedro Costa foi apresentado nas Calhetas, no Convento das Clarissas, erguido na antiga propriedade do casal de beneméritos
O livro “Os Fundadores da Esperança”, de António Pedro Costa, foi apresentado esta quarta-feira, 2 de setembro, no Convento das Clarissas, nas Calhetas, numa sessão que constituiu também uma homenagem à memória e ao legado social e caritativo de António Medeiros Frazão e Leonor Silveira Tavares.
O convento, construído na antiga propriedade do casal, acolheu a celebração da Eucaristia por intenção dos dois beneméritos, presidida pelo vigário para o clero, padre José Júlio Rocha e celebrada antes do lançamento do livro.
Partindo do Evangelho da cura da sogra de Pedro, o sacerdote destacou que aquilo que Jesus revela é “o serviço”, resumindo a mensagem em duas palavras: “servir e amar”. Sublinhou ainda a urgência da oração e de apresentar a Jesus aquilo que perturba, afirmando que “Jesus é agressivo contra o mal” e que é nessa luta que se revela “o poder do amor”.
Para o padre José Júlio Rocha, a vida de António e Leonor Frazão constitui um exemplo concreto dessa entrega: “Não é apenas um casal que tendo posses e podendo fazer deles o que quisesse colocou-os ao serviço dos outros… isso é amor.”
O sacerdote questionou ainda se o progresso material tornou efetivamente a sociedade mais feliz.
“Com tanta evolução e progresso e esforço humano não conseguimos ser mais felizes porque evoluímos na ordem do ter e do possuir e não do ser e de dar”, afirmou. E concluiu: “Confundimos felicidade com prazer… Felicidade é servir.”
Foi precisamente esta dimensão de serviço e solidariedade que António Pedro Costa procurou recuperar com o livro, editado pela Letras Lavadas.
“O objetivo é resgatar a memória de um casal que deixou um lugar gigantesco aqui na ilha de São Miguel, particularmente nas Calhetas e em Rabo de Peixe e que, infelizmente, as atuais gerações não se lembram”, explicou em declarações ao sítio Igreja Açores.
O autor recordou a dimensão pioneira da ação do casal, numa época em que o Estado Social praticamente não existia em Portugal. António e Leonor criaram uma estrutura de apoio à formação de jovens sem recursos, incluindo jovens que pretendiam prosseguir estudos e seminaristas, e desenvolveram igualmente respostas dirigidas a crianças e idosos, como o espaço de convívio do Calvário.
“Eles tinham uma preocupação, conviviam lado a lado com muita gente pobre e era preciso dar a mão a esta gente para poder dignificar-se”, afirmou António Pedro Costa, sublinhando que esse trabalho é hoje pouco conhecido.
A ação do casal estendeu-se também à habitação e ao apoio às famílias. Foram disponibilizados terrenos para que trabalhadores pudessem construir as suas próprias casas e foram criadas habitações nas Calhetas e em Ponta Delgada, junto à ermida de Nossa Senhora das Mercês, nome associado à mãe de António Frazão.
Para António Pedro Costa, a preocupação dos beneméritos não era apenas responder às necessidades imediatas, mas criar condições para um futuro diferente.
“A preocupação dele não era a fome daquele dia (…) a fome do futuro de amanhã”, afirmou, defendendo uma solidariedade que dá às pessoas “ferramentas para poder, por si só, avançarem”.
É esse legado que continua a inspirar a ação desenvolvida atualmente nas Calhetas e em Rabo de Peixe. Entre as iniciativas mais recentes está a criação de uma bolsa de estudos com os nomes de António Medeiros Frazão e Leonor Silveira Tavares, destinada a apoiar jovens, sobretudo das Calhetas e também de Rabo de Peixe, na continuação dos seus estudos.
O livro pretende, assim, não apenas recordar uma obra do passado, mas projetar os seus valores no presente.
“O livro tem essa função, é a resgatar essa memória para que (…) as gerações atuais possam rever na atitude filantrópica e de solidariedade pelo casal, uma inspiração”, afirmou o autor, para que não se perca a capacidade de “olharmos para quem está ao nosso lado e também ajudarmos quem mais precisa”.
Livro “Os Fundadores da Esperança” evoca António e Leonor Frazão


