“A verdadeira cegueira acontece quando o ser humano acredita que vê tudo, sabe tudo e controla tudo”- padre Dinis Silveira

Romeiros do santuário de Nossa Senhora da Conceição terminaram este domingo a XVIII Romaria Quaresmal da ilha Terceira

Foto: Chegada dos Romeiros ao SNSC/RH

Os romeiros do Santuário de Nossa Senhora da Conceição terminaram este domingo a XVIII Romaria Quaresmal da Ilha Terceira no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, onde participaram numa celebração marcada pela reflexão espiritual e pelo simbolismo do percurso vivido ao longo de vários dias.

A Eucaristia foi presidida pelo padre Dinis Silveira, que também acompanhou física e espiritualmente toda a romaria, orientando as meditações diárias. O Evangelho proclamado foi o do cego de nascença, uma passagem que serviu de base à reflexão central da celebração: “o essencial é invisível aos olhos”.

Na homilia, o sacerdote destacou que o grande milagre narrado no Evangelho não foi apenas a cura física do homem cego, mas sobretudo a transformação interior que lhe permitiu reconhecer Deus.

“Aquele homem recebeu a luz nos olhos e nós recebemos a luz de Cristo na nossa vida”, afirmou, sublinhando que muitas vezes as pessoas têm olhos para ver o mundo, mas não conseguem reconhecer o essencial: a presença de Deus e a necessidade de misericórdia para com os outros.

Perante os romeiros e fiéis presentes, o presbítero, que desde setembro é pároco da Unidade Pastoral da Madalena, na ilha do Pico e tem acompanhado quase sempre esta romaria,   recordou que a verdadeira cegueira acontece quando o ser humano acredita que vê tudo, sabe tudo e controla tudo.

Citando a tradição espiritual da Igreja, lembrou que “a arrogância fecha os olhos da alma, enquanto a humildade os abre para o mundo”, convidando todos a viver a Quaresma como um tempo de purificação do olhar e de reencontro com a fé.

A reflexão sublinhou também o percurso espiritual do homem curado no Evangelho, que passa por diferentes etapas de fé: primeiro reconhece “um homem chamado Jesus”, depois afirma que Ele é “um profeta”, e finalmente declara com convicção: “Eu creio, Senhor.” Segundo o sacerdote, este é também o caminho que cada cristão é chamado a percorrer ao longo da vida.

A romaria deste ano reuniu 28 participantes, entre os 12 e os cerca de 70 anos, incluindo seis novos romeiros – três naturais da ilha e três vindos do continente. Caso não tivessem ocorrido os dois anos de interrupção devido à pandemia de Covid-19, esta seria a 20.ª edição da iniciativa.

O grupo, que integra também um cego de nascença,  percorreu durante cinco dias o trajeto habitual: partiu da Conceição até às Doze Ribeiras no primeiro dia; seguiu depois para a Agualva; continuou até ao Porto Martins; enfrentou o chamado “dia do deserto” entre o Porto Martins e São Sebastião, com passagem pela Santinha do Mato; e regressou finalmente à Conceição para encerrar a caminhada.

Ao longo do percurso, os romeiros viveram momentos de oração, silêncio e partilha espiritual, mantendo o espírito tradicional da romaria, resumido na expressão conhecida entre os participantes: “cada um vai por si e Deus por todos”, como recorda o mestre do rancho, Paulo Roldão.

As intenções de oração incluíram as propostas do bispo D. Armando Esteves Domingues, bem como pedidos confiados aos romeiros e preocupações atuais, como a paz no mundo e o fim dos conflitos.

 

No final da celebração, ficou o convite deixado aos romeiros e fiéis: sair renovados e com “os olhos do coração abertos”, recordando que, mesmo nas noites mais difíceis da vida, a luz de Cristo nunca deixa de nascer.

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