
A Academia Pontifícia para a Vida (APV) lançou hoje o projeto “Cientistas pela Paz”, um apelo global à realização de ações concretas a favor da reconciliação mundial através da investigação científica.
O organismo do Vaticano alerta para o atual contexto histórico, sublinhando que “cientistas e académicos de todo o mundo são chamados a tomar uma posição clara a favor da paz”.
A APV desafia os profissionais a agir perante um tempo “em que a linguagem das armas e da guerra, e a eclosão da violência, assumiram um significado global trágico que também restringe a investigação científica”.
“São convidados a envolver-se ativamente na busca de caminhos para a reconciliação e a resolução de conflitos, começando na prática diária da sua investigação”, indica a instituição, em nota enviada à Agência Ecclesia.
A iniciativa é apoiada pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé) e destina-se a especialistas “de todas as disciplinas, independentemente da nacionalidade, origem cultural, opiniões políticas ou crenças religiosas”.
O texto integra uma citação da mensagem do Papa Leão XIV para o 59.º Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2026), recordando que a paz existe “tem o poder suave de iluminar e ampliar a inteligência, resiste à violência e vence-a”.
A APV apresenta várias propostas de ação, exortando os investigadores a “reconhecer a investigação científica em si mesma como uma prática significativa de paz” e a “avaliar o impacto da sua investigação na promoção de uma cultura de paz”.
O apelo global sugere a necessidade de “cultivar o espírito de fraternidade universal que é intrínseco à investigação científica” e de “valorizar as comunidades e organizações científicas internacionais como espaços de diplomacia científica”.
A instituição apela à atenção para os riscos tecnológicos, pedindo aos especialistas para “monitorizar o potencial duplo uso dos resultados da investigação originalmente desenvolvidos para fins civis pacíficos, mas que podem ser desviados para aplicações impróprias, incluindo militares”.
O documento propõe uma intervenção dos investigadores para “contribuir para a reflexão crítica sobre sistemas monopolistas e desalinhamentos dentro das estruturas de propriedade intelectual que podem gerar injustiça e conflito”.
O organismo da Santa Sé convida a classe científica a “colocar as descobertas e invenções ao serviço da paz, contribuindo de forma ponderada para as discussões sobre o desenvolvimento e uso de armas para defesa legítima”.
O apelo insta ainda a “promover a investigação voltada para a resolução não violenta de conflitos e a remoção das suas causas subjacentes”.
O formulário para assinar a declaração encontra-se disponível no portal da instituição do Vaticano.
Entretanto hoje, na audiência geral das quartas feiras, o Papa afirmou que uma Igreja aberta a todos” é “um grande sinal de esperança, especialmente nos nossos dias, marcados por tantos conflitos e guerras, saber que a Igreja é um povo no qual convivem, pela força da fé, mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas ou culturas”.
O Papa voltou a falar da necessidade de unidade dentro da Igreja.
“Unificada em Cristo, Senhor e Salvador de todos os homens e mulheres, a Igreja nunca pode fechar-se em si mesma, mas está aberta a todos e é para todos”, disse, durante a audiência geral no Vaticano, prosseguindo o ciclo de reflexões sobre a constituição dogmática “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II.
Leão XIV explicou que a comunidade católica transcende critérios étnicos ou culturais para se basear na comunhão espiritual.
“O seu princípio unificador não é uma língua, uma cultura, uma etnia, mas a fé em Cristo”, sustentou.
O Papa reiterou a vocação universal da instituição, sublinhando a necessidade de acolher as riquezas das diferentes realidades humanas.
“Isto significa que na Igreja há e deve haver lugar para todos, e que cada cristão é chamado a anunciar o Evangelho e a dar testemunho em todos os ambientes em que vive e trabalha”, indicou.
O encontro semanal incluiu uma saudação aos Irmãos de São João de Deus e a bênção da “Tocha Beneditina”, apresentada por uma delegação de autarcas italianos.
Leão XIV manifestou o desejo de que este símbolo inspire “os governantes e os cidadãos a construir uma sociedade baseada nos valores da solidariedade e da concórdia”.
A audiência geral ficou marcada por um apelo à paz no Médio Oriente, com particular atenção à situação no Líbano.
(Com Ecclesia)