As Jornadas de Catequese das ilhas de São Miguel e de Santa Maria arrancaram esta quarta-feira à noite, em Vila Franca do Campo, e prolongam-se até sábado de manhã. Refletem sobre o anúncio do Evangelho num mundo globalizado, acelerado e plural, sem o desvirtuar

Promovidas pela Diocese de Angra, as Jornadas decorrem sob o lema “Catequese viva, missionária e enraizada na comunhão” e pretendem responder simultaneamente aos desafios da Igreja e da sociedade atual. O objetivo central, segundo o padre Carlos Simas, diretor do Serviço Diocesano da Pastoral de Apoio à Evangelização, Catequese e Missão nas ilhas de São Miguel e Santa Maria, é “cimentar o encontro com Jesus, que é o centro da catequese”, aprofundando também a dimensão do anúncio, tema do atual triénio pastoral diocesano.
“A globalização traz novos desafios aos catequistas e à Igreja. Este compromisso chama-nos a uma vocação e sentimos que estas formações ajudam a crescer”, afirmou o sacerdote, sublinhando ainda a importância da partilha de experiências com formadores de outras dioceses, como forma de enriquecer os caminhos catequéticos locais.
A sessão de abertura foi orientada por Fernando Moita, diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), que lançou um forte apelo ao aprofundamento do discipulado. Recorrendo à figura bíblica de Maria Madalena, apresentada como modelo do discípulo que faz a experiência do encontro com o Senhor e anuncia a partir da vida, o responsável alertou que “o Evangelho é o próprio Jesus Cristo e só pode ser anunciado se for vivido; caso contrário, estaremos a passar uma ideologia”.
Fernando Moita, que se socorreu das figuras da Samaritana e de Zaqueu para exemplificar como o “encontro com o Senhor é transformador”, destacou que a catequese não se reduz à transmissão de conteúdos ou ao cumprimento de um programa, mas é antes um processo que conduz a um encontro alegre com Jesus Cristo, como afirmam os bispos portugueses.
“Só quem encontra Jesus quer mudar a sua vida”, afirmou, sublinhando que o catequista é chamado a ser discípulo missionário, alguém que aprende com o Mestre e, ao mesmo tempo, anuncia aquilo que vive.
No contexto açoriano, o diretor do SNEC valorizou fortemente a piedade popular, considerando-a um verdadeiro primeiro anúncio. Referiu as romarias, a devoção ao Senhor Santo Cristo e as festas do Espírito Santo como experiências humanas e espirituais que preparam o terreno para uma catequese mais sistemática e profunda.
“Estão reunidas as condições para formar cristãos verdadeiramente empenhados na transformação da sociedade, com uma fé viva e atuante”, afirmou.
Outro eixo central da reflexão, em declarações ao Sítio Igreja Açores, foi o batismo, entendido como identidade fundadora do cristão. Fernando Moita sublinhou que este sacramento “faz parte do código genético do cristão”, tornando-o filho amado de Deus, membro da Igreja, profeta, sacerdote e rei, chamado a celebrar a vida, servir e anunciar.
“O catequista deve fazer eco do que vive e do Querigma: Jesus ama-te, deu a vida para te salvar e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer e libertar. Esta é a tarefa do catequista; que cada criança possa ter esta certeza”, disse ainda.
A realidade concreta das famílias e das crianças esteve também no centro do debate. Perante os desafios atuais — ritmos acelerados, múltiplas ocupações e uma relação por vezes frágil com a Igreja — Rita santos, do Secretariado Nacional da Catequese apelou a que os catequistas não entrem em processos de recriminação, mas assumam uma postura firme e misericordiosa.
“O Senhor trabalha com o que tem, e nós também temos de trabalhar com as famílias que temos”, afirmou, defendendo uma catequese que parta da vida e acompanha os diferentes tempos de cada pessoa.
Em declarações ao Sítio Igreja Açores, Cidália Simas, da paróquia de Água D´Alto, anfitriã do encontro, defendeu que a catequese deve libertar-se do modelo escolar e tornar-se espaço de vivência comunitária da fé, através do serviço, da visita aos doentes, da participação em ações solidárias como o Banco Alimentar e do contacto com diferentes realidades da paróquia.
“A paróquia deixa de ser uma sala de aula para passar a ser um espaço de vida, de partilha e de fé”, afirmou.
Na mesma linha, Márcia Guerreiro, catequista da paróquia de São Pedro, em Vila Franca do Campo, sublinhou a importância de adaptar a catequese às idades mais avançadas, partindo da vida concreta dos adolescentes. Reconheceu que estas formações são fundamentais também para os próprios catequistas: “Saio sempre mais clarificada e com a certeza de que estou a fazer algo muito bonito”.
As Jornadas de Catequese 2026 continuam até sábado, com intervenções sobre a vocação do catequista, a diversidade de dons na Igreja, o Credo como caminho catequético — no contexto dos 1700 anos do Concílio de Niceia — e o itinerário de iniciação cristã vivido em família e em Igreja.
As Jornadas de Catequese 2026 começaram com o tema ‘Anunciar o Evangelho em tempo novo’, apresentado pelo diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o professor Fernando Moita.
Esta quinta-feira, o tema ‘Chamados e enviados: a vocação do catequista’, sobre a identidade e missão do catequista, tem como oradora a coordenadora do Departamento Arquidiocesano da Catequese de Braga, Fátima Castro, que foi instituída no ministério de catequista.
O tema ‘Um só Espírito, muitos dons’, marca a reflexão desta sexta-feira, 6 de fevereiro, com a reflexão do padre Pedro Oliveira, do Departamento da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese de Aveiro, e, no último dia, 7 de fevereiro, destacam-se duas propostas centrais: ‘Cremos para viver: o Credo como caminho catequético’, é apresentada pelo padre Pedro Lima, da Diocese de Angra, no contexto dos 1700 anos do Credo de Niceia, e o tema ‘Em família e em Igreja: o itinerário de iniciação à vida
As sessões têm início às 20h00 locais e, no último dia, sábado, os trabalhos decorrem entre as 10h00 e as 13h00.











