A associação tem como principal promotor o diretor do Serviço Diocesano de Liturgia, padre Marco Luciano Carvalho, pároco de Rabo de Peixe, paróquia que integra a ouvidoria da Ribeira Grande

A Ouvidoria da Ribeira Grande prepara-se para dar vida à ArteNorte – Centro de Música Coral e Artes, uma associação de direito civil que pretende tornar-se um espaço de encontro entre a Igreja e a sociedade, colocando ao serviço das comunidades cristãs a formação artística e técnica já existente no concelho, sem prejuízo de promover os seus próprios encontros formativos também abertos a todos.
A iniciativa, liderada pelo padre Marco Luciano Carvalho e apoiada por sacerdotes da Ouvidoria da Ribeira Grande, encontra-se ainda numa fase embrionária, mas deverá ser formalmente constituída no início do próximo ano pastoral. O objetivo é claro: criar uma estrutura capaz de estabelecer protocolos, candidatar-se a financiamentos e potenciar recursos humanos e formativos já existentes, evitando a duplicação de estruturas.
“A ArteNorte pretende ser um instrumento da Ouvidoria da Ribeira Grande para promover e aproveitar o que existe de formação no que respeita aos nossos músicos, aos nossos cantores, a todas as pessoas que trabalham na ornamentação das nossas igrejas e noutros serviços das paróquias”, explica o padre Marco Luciano Carvalho.
Mais do que criar novas respostas, a associação pretende valorizar aquelas que já existem na sociedade civil, colocando-as ao serviço da formação dos leigos e dos diversos agentes da pastoral.
“Se já existem algumas coisas que podem ser, de certa forma, capitalizadas e orientadas para estes setores da liturgia, porque não aproveitar essa formação para ajudar os nossos grupos corais, os nossos músicos e todos aqueles que trabalham neste campo?”, questiona o sacerdote.
A futura associação nasce, assim, com uma dupla vocação. Por um lado, será um centro de formação artística, promovendo áreas como música, canto coral, direção coral, técnica vocal, artes visuais, teatro, literatura, fotografia e património. Por outro, assumirá uma forte dimensão litúrgica, oferecendo formação destinada a coros paroquiais, organistas, salmistas, leitores, acólitos, ministros extraordinários da comunhão, equipas de liturgia e de ornamentação e arte sacra.
Contudo, o pároco de Rabo de peixe, que lidera o Serviço Diocesano de Liturgia e também o serviço na ouvidoria da Costa Norte da ilha de São Miguel, faz questão de sublinhar que a dimensão litúrgica não esgota a missão da ArteNorte.
“Será formação litúrgica, mas não só. Queremos que seja também um centro de formação artística e um espaço de encontro entre a comunidade cristã e a sociedade civil”, afirma.
O sacerdote recorre mesmo à imagem do “areópago” para definir a visão do projeto: um lugar privilegiado de diálogo, onde a Igreja e a sociedade possam colaborar em benefício da comunidade.
“Queremos fazer uma espécie de areópago, um encontro entre a sociedade civil e a comunidade cristã, usufruindo da formação que já existe no concelho da Ribeira Grande e colocando-a ao serviço das nossas comunidades”, refere.
Segundo explica, a escolha do modelo associativo não resulta de uma vontade de criar mais uma estrutura, mas antes da necessidade de encontrar uma forma jurídica que permita aceder a oportunidades que as paróquias, por si só, dificilmente conseguem aproveitar.
“Só através de uma associação podemos usufruir de projetos e financiamentos que existem ao nível da formação e aos quais as paróquias não têm capacidade de se candidatar. Através de uma associação tudo se facilita”, sustenta.
“Não é necessário multiplicarmos estruturas. Se já existem pessoas que trabalham a música, a palavra, a arte floral ou outras áreas, porque não orientar essa formação também para aquilo que as nossas comunidades precisam?”, questiona.
O padre Marco Luciano Carvalho dá o exemplo da arte floral, área em que já existem cursos e formadores no concelho.
“Temos pessoas que trabalham arte floral e temos cursos nas freguesias. Porque não integrar também as pessoas das nossas comunidades nessas formações, complementando depois essa preparação técnica com a dimensão litúrgica?”
O mesmo princípio aplica-se à música coral, onde considera que a preparação técnica é indispensável para melhorar o serviço prestado nas celebrações.
“A formação litúrgica dos grupos corais não é apenas formação litúrgica. A formação técnica é necessária, mas nós não temos meios nem pessoas disponíveis para trabalhar permanentemente esse setor. Se essa formação já existe na sociedade civil, devemos aproveitá-la”, defende.
A associação será constituída por sacerdotes da Ouvidoria da Ribeira Grande e por leigos ligados aos vários movimentos e serviços pastorais, embora a formalização dos órgãos sociais ainda esteja em preparação.
“Estamos ainda numa fase muito inicial deste projeto. A ideia é começarmos já no início do próximo ano pastoral a reunir, constituirmos os órgãos sociais, oficializarmos a associação e elaborarmos o primeiro plano de atividades”, revela.
Entre as primeiras iniciativas previstas encontra-se já a realização de uma Semana de Liturgia, a decorrer entre janeiro e março, bem como outras ações de formação que resultarão da articulação entre a associação e entidades formativas existentes no concelho.