Romarias Quaresmais arrancam no dia 21 de fevereiro

O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, propõe aos romeiros açorianos um conjunto de 14 intenções de oração que vão orientar espiritualmente as Romarias Quaresmais de 2026. A iniciativa pretende ligar a tradição secular micaelense às grandes preocupações da Igreja e às feridas concretas da sociedade atual, convidando cada peregrino a transformar a caminhada num verdadeiro exercício de intercessão.
Logo no início das intenções, o prelado coloca a Igreja universal no coração da súplica, pedindo oração “pelo Santo Padre, o Papa Leão XIV e todas as suas intenções”. A esta dimensão junta-se um apelo que atravessa fronteiras: rezar “pela paz em todos os lugares da terra e a concórdia entre os povos”, numa clara referência aos conflitos e divisões que marcam o tempo presente.
As famílias ocupam também um lugar central. O bispo pede que os romeiros tenham presentes “as famílias que passam dificuldades e a santidade dos esposos”, lembrando que é no quotidiano dos lares que a fé ganha rosto. A mesma atenção é dada aos mais frágeis, com preces pelas vítimas das tempestades, por quem perdeu a vida ou os bens, pelos idosos, pelos doentes e por todos os que vivem momentos de provação.
Não ficam de fora realidades duras e muitas vezes escondidas. D. Armando convida a rezar “pelos jovens que caíram nas garras das drogas e outras dependências” e ainda “pelas vítimas de violência doméstica e de qualquer outro abuso”. Aos romeiros é igualmente pedido que levem consigo os pobres, os sem-abrigo, os imigrantes e os desempregados, bem como as autoridades e governantes, para que exerçam o seu serviço com sentido de justiça e responsabilidade.
A vida interna da Igreja surge reforçada com pedidos “pela santidade dos sacerdotes, religiosas e religiosos”, pelas vocações e ainda por todos os párocos e leigos empenhados nas comunidades. O bispo não esquece os próprios peregrinos, incluindo uma intenção especial “por todos os Romeiros que estão doentes ou passam dificuldades”.
A lista culmina com um desejo que resume o horizonte espiritual das romarias: “para que todos os cristãos da diocese sejam fiéis ao batismo e sejam fiéis a Cristo, a nossa Esperança”.
Na mensagem que acompanha a divulgação das intenções, D. Armando Esteves Domingues assegura proximidade e acompanhamento espiritual.
“Em cada dia rezarei pelos nossos Romeiros de S. Miguel, em especial pelos que saíram na Romaria deste ano”, afirma, confiando cada passo à proteção de Nossa Senhora: “Peço que Maria Santíssima vos acompanhe e leve a Jesus as vossas intenções”.
O prelado manifesta ainda o anseio de que a peregrinação produza frutos duradouros.
“Oxalá, este caminho de penitência e conversão vos traga a alegria do Ressuscitado”, escreve, para que essa experiência se traduza no “mais belo Aleluia Pascal” vivido em família, entre amigos e nas comunidades paroquiais.
A nota termina com a jaculatória tão característica dos ranchos de romeiros: “Seja sempre bendita e louvada a sagrada Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
As Romarias Quaresmais são uma das mais antigas e marcantes tradições religiosas dos Açores, ocorrendo anualmente na ilha de São Miguel (e em menor escala em outras ilhas) durante o período da Quaresma. Consistem em peregrinações a pé, realizadas por grupos de homens — chamados “ranchos” — que percorrem a ilha, visitando igrejas e ermidas, numa jornada de penitência, oração e fé que dura cerca de uma semana por rancho.
Em 2025, a manifestação “Romeiros de São Miguel” foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, destacando a sua relevância como um dos maiores fenómenos religiosos de Portugal. É considerada uma “manifestação de fé única” que demonstra a resistência do povo açoriano, surgindo inicialmente como resposta a catástrofes naturais.
Este ano os primeiros 11 ranchos saem a 21 de fevereiro.