Foto: FB de Renato Goulart

D. Armando Esteves Domingues acredita que os cerca de 130 jovens que subiram ao monte, para serem enviados à JMJ, saem “mais fortes” para lidar com “tudo aquilo que às vezes são aparentes sinais de felicidade e que desiludem”

Quem subiu à montanha mais alta de Portugal – o Pico, a 2.531 metros de altitude – e participou na eucaristia presidida pelo bispo de Angra jamais esquecerá esta aventura feita de dificuldades, mas também de muito entusiasmo, alegria e aventura.

D. Armando Esteves Domingues reconhece que “a subida, como tudo na vida, teve algumas dificuldades”, destacando a beleza de “ver o nascer do sol no Piquinho”.

“Estar cá em cima é ter o céu como limite e muitas vezes na vida temos que ter essa certeza que há sempre um céu acima de nós”.

Na homilia da eucaristia, o bispo de Angra disse aos jovens que “subir à montanha é sempre uma aventura, com riscos, com festas, como a vida, e também com esta complementaridade de que todos podemos ser uns para os outros”.

“Apetece dizer, aqui em cima, que bela esta família humana do mundo inteiro”, declarou desafiando os jovens a serem protagonistas da transformação do mundo.

“Queremos construir onde estivermos esta única humanidade. Foi por isso que Cristo deu a vida. E esta proclamação das bem-aventuranças, oxalá pudesse ser a veste que levamos daqui deste dia. Jovens bem-aventurados, isto é, felizes, segundo o pensamento de Jesus Cristo”.

D.Armando Esteves Domingues acredita que “quem subiu ao monte vai daqui mais forte para tudo aquilo que às vezes são aparentes sinais de felicidade e que desiludem”.

Por isso, desafiou os jovens a usarem menos os teclados e a olharem mais o mundo e “o irmão que caminha ao nosso lado”.

“O meu primeiro desafio é este, caríssimos, que nós procuremos a felicidade fazendo feliz o outro”, desafiou.

“Vir cá acima, acredito que faremos um mundo melhor lá em baixo, onde a vida se joga todos os dias. Buscai o outro. O isolamento, o egoísmo, o viver para si próprio, acho que não deve ser próprio dos jovens. Continuai a correr a subir montanhas uns com os outros.”

O prelado desafiou também os jovens a “ir contra a corrente”, lembrando que “hoje há pensamentos instituídos, generalizados, iguais para todos”.

“Parece que o mundo quer fazer de todos iguais, fotocópias uns dos outros, de preferência a gastar as mesmas marcas, os mesmos produtos”, disse, apontando a uma afirmação do Papa que diz que os jovens são originais.

“Caros jovens, sede originais. Só um original pode ser protagonista. Os outros são imitadores.”

“Se eu pudesse hoje aqui, (…) recomendar um ‘influencer’ infalível, que sabe sempre o melhor produto, o melhor caminho, a melhor forma para chegar ao alto da montanha, seria Jesus Cristo”, convidando os jovens a “adotá-lo como o grande ‘influencer’ da vida, nem que seja preciso, às vezes vir para sítios onde não há Internet, onde não as teclas não funcionam, para vermos o rosto do irmão, que é o rosto de Cristo.”

Antes da Eucaristia, o bispo com um pequeno grupo de jovens subiu ao Piquinho onde colocou uma bandeira da JMJ.

Um dos jovens foi evacuado da Montanha, pela equipa de resgate que acompanhou o grupo, ao fazer uma deslocação do omoplata.

Foto: Igreja Açores /JEC

Foto: Igreja Açores /JEC