” A sinodalidade é um antídoto contra a polarização” afirma D. Armando Esteves Domingues à margem do II Encontro Sinodal Nacional que está a decorrer em Fátima, com a participação de 21 dioceses

O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, destacou este sábado a importância da atitude de escuta, humildade e partilha que marca o II Encontro Sinodal Nacional, a decorrer em Fátima sob o tema “Da escuta à missão: espiritualidade sinodal e implicações pastorais”. O encontro reúne todas as dioceses portuguesas, incluindo a Diocese de Angra, sendo a única ausente a Diocese do Funchal.
Para o pelado diocesano, participar nesta assembleia permite compreender como as dioceses, apesar das diferenças, vivem um mesmo caminho e enfrentam desafios semelhantes.
“É muito interessante estar nesta assembleia, ver como todos se colocam numa atitude muito humilde de escuta e de partilha, ter tempo para ouvir todas as dioceses nas suas expectativas, percursos, dificuldades e esperanças”, afirmou.
O prelado sublinhou que este processo não é apenas um momento, mas um “modo de ser Igreja”, recordando que também nos Açores se procura caminhar de forma conjunta e corresponsável.
“Não são propriamente decisões; temos de aprender a tomá-las em conjunto. É esta capacidade de querer caminhar, de tentar não deixar ninguém para trás”, explicou, reconhecendo que os ritmos, expectativas e dificuldades variam entre comunidades e na diocese há muitas comunidades com ritmos diversificados e expetativas diferentes.
Entre esses desafios, destacou aquele que considera transversal a toda a Igreja: a conversão pessoal e comunitária.
“A grande dificuldade somos nós: convertermo-nos, mudarmos, termos tempo para estas escutas, para perceber o que vive a outra diocese ou o outro irmão e depois transportar isso para as nossas comunidades”, observou.
D. Armando Esteves Domingues reforçou também a necessidade de evitar pressas no processo sinodal.
“Se apressarmos ou queimarmos etapas, há sempre gente que fica para trás. Pode não haver a preparação e a reflexão necessárias para que outros se juntem”, alertou, lembrando a recomendação do Papa para que não haja “agendas pessoais” no discernimento eclesial.
“Confiar no Espírito Santo para nos dar a verdadeira agenda é fundamental, mesmo para um bispo ou para um pároco”, acrescentou.
“Não se trata de novidades; trata-se de ser Igreja. Comunidades de escuta são comunidades de oração, de partilha, samaritanas, atentas ao Espírito. Isto nunca cansa, porque é a nossa forma de viver”, disse ainda.
Para o bispo de Angra, ser cristão é, antes de tudo, “um projeto de felicidade”, e a experiência sinodal contribui para essa realização espiritual.
“Estarmos sempre a discutir quem manda ou quem decide não faz sentido. Todos devemos estar na escuta uns dos outros. A diversidade de vocações e ministérios enriquece a Igreja”, afirmou.
O prelado concluiu recordando que o caminho sinodal é também um antídoto contra a fragmentação do mundo contemporâneo: “Precisamos muito desta espiritualidade que nos sustenta na comunhão. Cada dia o Evangelho é novo e Jesus Cristo é novo”.
O II Encontro Nacional está a decorrer no centro pastoral de Paulo VI, em Fátima e durante a manhã, para além das palalvras de abertura do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas e da reflexão do Bispo de Coimbra, sobre a espiritualidade sinodal e as suas implicações práticas, os participantes fizeram eco das ações práticas e cocnretas que as dioceses têm experimentado desde o momento da receção do Documento Final do Sínodo.
Do lado da diocese de Angra, o coordenador da Comissão Sinodal Diocesana , padre José Júlio Rocha, destacou como ação concreta o facto da diocese de Angra ter entendido que “a sinodalidade é o Concílio em ação”. Por isso, acrescentou, a “sinodalidade passou de dimensão colateral de experiência para ser o caminho da diocese.”
“A diocese está numa caminhada de nove anos, até aos 500 anos da sua fundação, em 2034, e tudo isso em caminho sinodal” afirmou sublinhando muitas das orientações dadas pela Carta Pastoral do Bispo de Angra: obrigatoriedade dos Conselhos Pastorais, Conselhos pastorais presididos por leigos; revisão dos estatutos dos Conselhos Pastorais; centros de Preparação para o batismo numa lógica de acompanhamento das famílias em todas as ouvidorias e a escola de uma nova equipa sinodal, entre outros.
“São exemplos de sinodalidade prática que temos vindo a implementar”, disse reconhecendo que há dificuldades “geográficas e de atitude” por parte de vários sectores, sobretudo “do clero e de alguns sectores laicais”.
“Por medo ou desconhecimento há de fato resistências que importa ultrapassarmos” afirmou.
Como sinal de esperança- porque as dicoeses foram instadas a enumerar algum sinal de esperança para a aplicação pastoral da sinodalidade- o Vigário Episcopal para o Clero destacou a presença de um bispo empenhado na sinodalidade” e a aposta na formação teológica-pastoral, dando como exemplo os três retiros do clero que se irão realizar na diocese e que apostam, justamente, numa conversão feita em chave sinodal.
Da parte da tarde, os trabalhos de grupo decorrerão de acordo com o método da conversação do espírito procurando respostas para a pergunta: “Que Igreja somos chamados a ser a partir da conversação no espírito.