Festa do Santíssimo Salvador encerra comemorações dos 500 anos da freguesia da Matriz, na Horta

A Festa da Epifania é um convite a “vivermos” a igreja “não como edificio” mas como “espaço de comunhão” de “portas abertas”, disse esta tarde o Bispo de Angra durante a celebração eucarística que encerrou as comemorações dos 500 anos da freguesia da Matriz, na Horta, ilha do Faial.

“O sentido original da palavra paróquia é vizinhança. A paróquia é a Igreja junto das casas, na casa das pessoas e indica  a reunião das pessoas à volta da Igreja, entendida, não apenas como edifício, mas, sobretudo, como comunidade, que tem a sua máxima expressão na comunhão: viver uns com os outros e uns para os outros”, afirmou o prelado diocesano.

Isso, pressupõe que a igreja “esteja sempre de portas abertas” e que os cristãos estejam disponiveis para sair em missão.

Epifania significa “manifestação”, disse D. António de Sousa Braga daí que ”não é só questão de os outros virem ter connosco. Nó temos de ir ao encontro de todos, como nos recomenda o Papa Francisco” .

Depois exortou os fieis a “fazer memória” desta caminhada eclesial, isto é, “trazer para o presente os valores, que inspiraram os nossos antepassados a viverem a sua fé e a tornarem-se luz que ilumina a mente e aquece o coração, sal que preserva da corrução e dá gosto à vida, fermento que leveda a massa com os valores do Evangelho, para que surja e se afirme o Reino de Deus: Reino de Justiça, Amor e Paz. E assim o Ano Novo será diferente e melhor”.

Referindo-se aos Evangelhos não “como crónicas de jornalistas” mas como “catequeses atuais”, o responsável pela diocese de Angra, nos Açores, lembrou, ainda, que a “catequese mais evidente” do Evangelho deste domingo, é “o universalismo da salvação”, aplicado a todos os homens, independentemente da sua proveniência “física, geográfica ou social”.

“O Menino, nascido em Belém, veio para todos. Não só para os Judeus. Os Magos, vindos do Oriente, representam os povos, que não faziam parte do povo judeu”, conclui.

O Bispo de Angra presidiu ao  encerramento das comemorações dos 500 anos da freguesia da Matriz da Horta, que é neste momento a maior paróquia da ilha do Faial, com cerca de 2700 habitantes.

A celebração, concelebrada pelo ouvidor da Horta, Pe Marco Luciano, e outros sacerdotes, foi animada pelo Coro litúrgico da Matriz, acompanhado de um grupo de metais. O Evangelho foi encenado pelos acólitos da Matriz.

Nesta festa em que se assinalou a solenidade litúrgica da Epifania, celebrou-se também a festa do Santíssimo Salvador, titular desta igreja Matriz, que agora está instalada num convento jesuíta.

Nesta festa, conhecida popularmente como dia de Reis (6 de janeiro), a igreja recorda a manifestação de Jesus à humanidade no rosto dum Menino.

A Epifania, palavra de origem grega que significa ‘brilho’ ou ‘manifestação’, é uma das festas litúrgicas mais antigas (séc. IV), e é celebrada tanto no Oriente como no Ocidente.

O encerramento oficial das comemorações dos 500 anos da freguesia da Matriz acontece daqui a pouco com o concerto pelo Coral de Santa Catarina com a Filarmónica Nova Artista Flamenguense, que assim encerra, também, o ciclo das comemorações dos 200 anos do órgão de tubos da Matriz.