Conclusões dos trabalhos vão ser apresentados em conferência de imprensa, ao início da tarde, em Fátima

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) termina hoje a 188ª assembleia plenária onde estiveram em debate, entre outros assuntos, a recente visita ‘ad Limina’, o Sínodo sobre a família e a catequese.

No discurso de abertura da reunião plenária do episcopado português, D. Manuel Clemente referiu-se ao “momento” em que vive a sociedade portuguesa, afirmando é necessário ter em conta os “princípios do pensamento social cristão” na definição de programas que determinam o seu futuro.

Para o presidente da CEP, trata-se de “salvaguardar a vida humana em todas as suas fases, da conceção à morte natural; da valorização da vida familiar e da educação dos filhos, com referência masculina e feminina de geração ou adoção”.

D. Manuel Clemente lembrou a necessidade de defender princípios que “correspondem a causas essenciais à dignidade humana, como a promoção do bem comum, a ativação dos princípios da subsidiariedade e da solidariedade” e levam ajudam à “superação de situações gritantes de desigualdade e pobreza”, ao apoio aos mais frágeis, em particular aos nascituros, às mães gestantes e às famílias”.

A assembleia plenária da CEP que hoje termina incluiu a análise de “propostas pastorais” no seguimento da visita ao Papa e às instituições da Santa Sé, realizada no início de setembro e o debate de um um documento sobre o tema ‘Catequese: a alegria do encontro com Cristo’.

A reunião incluiu momentos de reflexão sobre as conclusões da 14ª Assembleia Geral ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família (4-25 de outubro de 2015) e a reforma do processo canónico para as causas de declaração de nulidade do Matrimónio, promovida pelo Papa Francisco.

O encontro do órgão máximo do episcopado católico português decorre na Casa Nossa Senhora das Dores, em Fátima, e iniciou esta segunda-feira pelas 16h00, com o discurso de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa e presidente da CEP, e a diocese de angra está representada pelo Bispo de Angra, D. António de Sousa Braga e o bispo coadjutor nomeado, D. João Lavrador.

Entretanto ontem os bispos europeus pronunciaram-se sobre os problemas sociais que atravessam a Europa, sobretudo atendendo ao momento especial de acolhimento de milhares de refugiados.

A Comissão ‘Caritas in Veritate’ do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) alerta que a Europa não deve “esquecer a grandeza” dos recursos internos materiais e espirituais” num “momento histórico” com guerras, acolhimento dos refugiados e “pressões económicas”.

“Grupos de pressão económicos e culturais estão ativamente mobilizados na Europa contra a Europa. As instituições continentais estão a sofrer com a tensão entre as identidades dos povos e a dimensão da burocracia”, revela o comunicado do CCEE .

A Comissão ‘Caritas in Veritate’ alerta que as “ideologias hoje” estão a tentar remover da Europa os seus valores e dividi-los em “apoiantes e opositores” de modelos “construídos não sobre a história comum da Europa, mas em teoria”.

A política de “indiferença religiosa” e a tentativa remeter as religiões do espaço público para a esfera privada coloca em “risco” a coexistência das religiões.

“O fenómeno religioso é apresentado como perigoso, a política rejeita-o”, acrescenta o comunicado.

Segundo o conselho das Conferências Episcopais da Europa as preocupações económicas “são muitas vezes vítima de preocupações políticas e financeiras” e os Estados estão “a sofrer e a lutar” para mediar, de forma significativa, entre as pessoas e as instituições europeias transnacionais.

Perante as novas divisões entres os Estados – “fortes e fracos, alinhados numa cultura dominante e não-alinhados de segunda classe – os bispos europeus assinalam que procurar “valores comuns não significa impor a todos os valores de alguns”.

Neste contexto, destacam realidades concretas como a “situação difícil” na Grécia que “causou problemas muito mais amplos”, até da própria União Europeia, e a situação de conflito na Ucrânia, “terra historicamente muito significativa para o continente europeu e sua civilização entre Oriente e Ocidente”.

“Para o CCEE, na gestão da migração, que hoje tem aspetos de “emergência humanitária”, a Europa “não deve renunciar” a sua civilização jurídica e os valores fundamentais da sua cultura que “assimilou a partir da tradição da lei moral natural”, enriquecido e transmitidos pela tradição cristã e presente noutras culturas e religiões.

No comunicado são apresentadas preocupações também com a defesa de uma “ecologia integral”, o combate aos “problemas” do emprego, a defesa dos direitos humanos, a paz, “um bem comum não apenas material, mas também espiritual”.

CR/Ecclesia