Cardeal D. António Marto preside à Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres

As festas de 8 a 14 de maio em Ponta Delgada, reforçam a oração pela paz num mundo marcado por conflitos e instabilidade,  que pode afetar participação dos fieis

Foto: Igreja Açores/CR

O Convento da Esperança acolheu, esta tarde, a conferência de imprensa de apresentação das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres 2026, que decorrerão entre os dias 8 e 14 de maio, tendo como ponto alto o fim de semana de 9 e 10.

O reitor do Santuário, cónego Manuel Carlos Alves, anunciou que as celebrações deste ano serão presididas pelo cardeal D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima, sublinhando tratar-se de “uma presidência que muito honra a Diocese de Angra, este Santuário e as comunidades cristãs açorianas”. As festas contarão também com a presença do novo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, recentemente nomeado representante diplomático da Santa Sé em Portugal e do Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues.

O programa inicia-se a 8 de maio com a inauguração da iluminação, prolongando-se até dia 14. O tríduo preparatório começa a 5 de maio e será orientado pelo padre jesuíta Paulo Duarte. No dia 10, domingo, terá lugar a missa solene pelas 9h30, seguida da tradicional procissão às 16h30.

Do programa destaca-se ainda a celebração de uma missa em inglês, às 08h00, na igreja de São José, dirigida a turistas e emigrantes, bem como iniciativas específicas para a diáspora açoriana.

“Estamos a procurar incluir algumas iniciativas especialmente destinadas aos emigrantes no programa religioso deste ano”, referiu o reitor.

Apesar da forte ligação dos emigrantes às festas, o cónego Manuel Carlos Alves admitiu alguma incerteza quanto à sua presença em 2026.

“Estou a contar com alguma contenção, até por aquilo que tem sido a política norte-americana em relação aos emigrantes. Pode afetar a vinda e levar ao adiamento de deslocações”, afirmou.

A situação internacional atual poderá gerar também  alguma contenção no fluxo turístico, refletindo-se em cancelamentos e alterações nos planos de viagem.

” Julgo que as  pessoas terão de se adaptar a este novo contexto e gerir os efeitos que surgirem, sabendo que as expectativas, neste momento, não passam disso”, disse ainda o responsável pelo Santuário.

A dimensão espiritual e o apelo à paz marcarão o tom das celebrações.

“Todos são convidados a rezar pela paz no mundo e a dirigir súplicas por todas as vítimas de violência e perseguição”, destacou, alertando para um contexto global marcado por conflitos e divisões.

“Neste tempo marcado por conflitos e divisões, com várias frentes de guerra com impacto mundial, na vida dos cidadãos mesmo que não residam em lugares onde a força das armas é a lei da convivência, não podemos ignorar a urgência da oração pela paz” afirmou o reitor.

” Vivemos num contexto em que, tantas vezes, a ordem social parece desligar-se da ordem moral, e onde até os cristãos se deixam envolver por discursos radicais, polarizadores e promotores de guerra. Por isso, a nossa resposta deve nascer do Evangelho: uma fé que constrói pontes, que promove o diálogo e que insiste na dignidade de cada pessoa”, acrescentou ainda.

“Que este Santuário continue a ser farol de esperança e lugar de intercessão, onde elevamos a Deus o clamor da humanidade e nos comprometemos a ser, no mundo, sinais vivos de reconciliação e de paz”, concluiu lembrando que “A nossa resposta deve nascer do Evangelho: uma fé que constrói pontes, promove o diálogo e insiste na dignidade de cada pessoa”.

O reitor evocou ainda que “a Igreja é de todos e para todos”, reforçando o caráter inclusivo das festas e do Santuário, enquanto espaço de encontro, oração e renovação da fé. O lema pastoral deste ano, “Cristão, que dizes de ti mesmo?”, convida a uma reflexão pessoal e comunitária sobre identidade e testemunho cristão.

No plano simbólico, foi anunciado que a imagem do Senhor Santo Cristo será ornamentada com a capa número 44, e que o cálice da missa solene será o oferecido por São João Paulo II aquando da sua visita a Ponta Delgada, em 1991, assinalando os 35 anos desse momento histórico.

Após a procissão da mudança, no sábado, a imagem permanecerá na igreja de São José para a tradicional vigília noturna, dinamizada pelos jovens de São Miguel. Já na terça-feira do tríduo, decorrerá uma conferência no coro alto, pelas 21h00.

Na conferência de imprensa esteve presente também o provedor da Irmandade do Senhor Santo Cristo, a quem o Santuário entrega no sábado da festa a Imagem.

“Desejamos a todos umas boas festas, agradecemos a colaboração da comunicação social e queremos que tudo corra bem” disse Carlos Faria e Maia, anunciando também que os problemas com as filarmónicas poderá ser ultrapassado já no dia 11, altura em que se fará o sorteio e se definirão alguns aspetos relacionados com a participação na procissão e nos concertos.

A organização deixou ainda apelos à responsabilidade coletiva durante as festas, nomeadamente à contenção no consumo, respeito pelo ambiente e cumprimento das orientações das autoridades. “A segurança e a limpeza necessitam do contributo de todos”, frisou o reitor.

Senhor santo Cristo estreia nova capa

A imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres vai estrear, na Festa deste ano, a sua 44.ª capa, oferecida pelo casal de emigrantes nos Estados Unidos, Emanuel e Kathy Correia, como expressão de devoção e agradecimento pelas graças recebidas.

Confeccionada em veludo e bordada a fio de ouro, a capa apresenta motivos relacionados com a paixão de Cristo, como a Cruz e a Coroa de Espinhos. O trabalho foi realizado na Cooperativa de Artesanato Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, e chegou ao Convento no dia 17 de março de 2026.

A cada ano, a imagem do Senhor Santo Cristo veste uma capa que cobre os ombros para baixo, substituindo o arremedo do manto régio colocado em Jesus após a flagelação. Ao longo dos séculos, foram criadas 44 capas, na sua maioria em veludo ou damasco e bordadas a ouro em alto-relevo, usadas rotativamente nas procissões anuais. Entre estas, destaca-se uma capa do século XVIII, confeccionada com brocado do manto de D. João V, oferecido pela rainha Dona Maria Ana, em cumprimento a um desejo do rei.

Com esta nova capa, o património artístico do Senhor Santo Cristo dos Milagres reforça-se, mantendo viva a tradição e a devoção que atravessa gerações.

As Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres continuam a afirmar-se como uma das maiores manifestações religiosas dos Açores, atraindo milhares de fiéis, turistas e emigrantes, num ambiente de fé, tradição e identidade cultural.

 

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