Carismas que falam no silêncio dão vida à missão da Igreja em São Miguel

Na Diocese existem 10 Congregações e Institutos de Vida Consagrada, 8 dos quais estão presentes em São Miguel

Foto: Diário da Lagoa. Padre Gil Silva

A Semana da Vida Consagrada está a ser vivida na maior ilha do arquipélago como um tempo de preparação, encontro e oração, marcado pela diversidade de carismas que dão rosto à missão da Igreja neste pedaço de terra. Segundo o padre dehoniano Gil Silva, ouvidor da Lagoa e membro da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) esta semana é vivida sobretudo “nas comunidades, na vida consagrada e também na expectativa de prepararmos um dia particular e especial”, que este ano assume um formato diferente do habitual. O Dia do Consagrado não será celebrado no dia 2 de fevereiro, uma segunda-feira, mas antecipado para domingo, dia 1, aproveitando a dinâmica comunitária dominical.

Nesse dia, as comunidades religiosas presentes na ilha de São Miguel irão reunir-se no Cabouco para um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, às 11h30, seguido da celebração da Eucaristia. Apesar de este ano não haver jubilados, a celebração será ocasião para recordar a presença das congregações em São Miguel e rezar por todos os consagrados, em especial pelos mais idosos, “que tanto trabalharam e se esforçaram pelas suas comunidades e pela Igreja”. O dia culminará com um momento de convívio fraterno, sinal de comunhão entre os diferentes carismas.

A vivência desta semana inclui também a visita às Irmãs Clarissas, em clausura, uma tradição que não foi possível concretizar em janeiro. Assim, no dia 1 de fevereiro, os consagrados deslocam-se ao Convento das Calhetas para rezar as Vésperas com a comunidade contemplativa e partilhar um momento de convívio, sublinhando a importância da oração escondida e silenciosa que sustenta a vida da Igreja.

Para o padre Gil Silva, toda a semana é, por isso, “um caminho de preparação para estes momentos de adoração, Eucaristia, encontro e oração”.

Sob o lema “Consagrados  para servir e amar”, o sacerdote reconhece que a vida consagrada é hoje chamada a viver em contracorrente numa sociedade marcada pela pressa, pela visibilidade e pela centralidade das redes sociais.

“Parece que tudo o que não está nas redes não existe”, observa, sublinhando que muitos dos serviços prestados pelas congregações acontecem no silêncio e sem reconhecimento público. Ainda assim, é nesse silêncio que os carismas se tornam testemunho vivo, através de gestos concretos de proximidade, cuidado e entrega.

O ouvidor da Lagoa destaca a presença das várias congregações na ilha e os seus diferentes campos de missão, desde o cuidado aos idosos, à educação das crianças, à assistência social, ao acompanhamento dos mais pobres, ao serviço paroquial e missionário ou ao apoio a doentes psiquiátricos, uma realidade cada vez mais presente na sociedade atual. Para o sacerdote, é precisamente esta diversidade que enriquece a Igreja, pois “quanto mais somos capazes de viver o carisma do fundador, mais enriquecemos a Igreja e a tornamos verdadeiramente missionária”.

Questionado sobre os desafios pessoais da vida consagrada, o padre Gil Silva reconhece a existência de momentos de cansaço e escuridão, mas aponta a oração, a vida comunitária e o silêncio como fontes de renovação. Parar diante do Santíssimo Sacramento e da Palavra de Deus é, para si, essencial para reencontrar a luz e continuar a ser sinal de esperança e serviço. Vivendo a espiritualidade do Coração de Jesus, sublinha a importância da amabilidade como atitude fundamental num mundo cada vez mais agressivo e desconfiado.

“Não é só respeito, é ir mais além, é acolher o outro”, afirma, reconhecendo que o mundo de hoje precisa urgentemente dessa capacidade de proximidade e ternura.

Sobre a questão das vocações, o sacerdote considera que não se trata apenas de maior ou menor dificuldade, mas de um contexto diferente, marcado pela comodidade e pelas múltiplas solicitações. Ainda assim, acredita que o caminho passa por provocar o encontro, especialmente com os jovens.

“Sem encontro não há conhecimento”, afirma, defendendo a necessidade de criar oportunidades para que os jovens saiam do isolamento e se encontrem face a face com a vida consagrada. Inspirado no exemplo de Jesus, lembra que o convite deve ser constante, mesmo sabendo que nem todos respondem da mesma forma. A Semana da Vida Consagrada surge, assim, como um tempo privilegiado para tornar visível, mesmo no silêncio, a riqueza dos carismas que continuam a amar e a servir em São Miguel.

O Dia do Consagrado é celebrado anualmente a 2 de fevereiro, coincidindo com a Festa da Apresentação do Senhor . Instituída por São João Paulo II, a data celebra o dom da vida consagrada na Igreja, destacando religiosos, religiosas e membros de institutos seculares que renovam os seus votos.

“Consagrados para servir e amar” é o lema da Semana do Consagrado deste ano, que se assinala de 26 de janeiro a 02 de fevereiro. Esta semana é uma iniciativa da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), em coordenação com a Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) e a Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal (CNISP), com o intuito de promover a “oração e a reflexão sobre a Vida Consagrada”.

Em São Miguel residem oito Congregações: Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor- ramo apostólico e contemplativas, Irmãs Clarissas, Irmãs de São José de Cluny, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs Reparadoras Missionárias da Santa Face e Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Na ilha Terceira estão as Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, a Ordem Hospitaleira de São João de Deus, as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição e as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

Religiosos da Ilha Terceira promovem nova missão especial na Vila Nova

Scroll to Top