Cáritas diocesana implementa programa “Ser Casa”

 

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Apoio supletivo para pagamento de empréstimos à habitação às famílias carenciadas conta com fundo de 20 mil euros

A Cáritas Diocesana acaba de criar o programa “Ser Casa” destinado a apoiar famílias carenciadas com dificuldades no pagamento do crédito à habitação e que estejam sinalizadas a nível paroquial. Cada família pode contar com um montante mensal máximo de 150 euros, durante três meses.

“Este programa, que é uma ajuda supletiva a medidas estruturais que o Governo Regional já criou, vem no seguimento da Carta Pastoral da Quaresma na qual o senhor Bispo pedia às comunidades paroquiais para sinalizar famílias em sobre-esforço, com dívidas de créditos à habitação” disse a presidente da Cáritas, Anabela Borba, ao Igreja Açores.

“O senhor D. Armando fez um donativo pessoal à Cáritas e a instituição, com o apoio de outras entidades como os Santuários do Senhor Santo Cristo e de Nossa Senhora dos Milagres, na Serreta, e com recurso a verbas próprias decidiu avançar com esta ajuda que sabemos pode não ser grande mas é mais um complemento às famílias que se encontram em grande dificuldade”, esclareceu ainda a presidente da Cáritas Diocesana

Os pedidos de ajuda devem ser encaminhados pelas paróquias- através da pastoral social ou do pároco- para a Cáritas diocesana através do email uas@caritasterceira.org ou sinalizadas para o telefone 295212795.

Todos os pedidos devem partir de uma ficha preenchida na paróquia com uma breve descrição da situação e justificar o pedido, enviando comprovativos. No pedido deverá ser explícito o montante possível do apoio a despender pela paróquia.

Este programa “Ser Casa” destina-se a titulares de empréstimo para habitação própria permanente até € 200.000,00, contraído até 31 de julho de 2022 e com taxa variável (EURIBOR 3, 6 ou 12 meses). Podem candidatar-se todos os titulares que tenham residência fiscal efetiva na Região Autónoma dos Açores (Diocese de Angra), não possuam outra habitação e tenham uma taxa de esforço, considerando os empréstimos contraídos até 31 de julho de 2022, igual ou superior a 30% e igual ou inferior a 35%.

“Note-se que os empréstimos a considerar, serão analisados caso a caso, tendo em conta a necessidade específica de cada pessoa, ou família” dizem os responsáveis pelo programa.

Os candidatos ao programa devem igualmente ter um rendimento mensal líquido, livre de impostos e de contribuições à segurança social, igual ou inferior a € 1.396.5,00 (se 1 titular), ou igual ou inferior a € 2793,00 (se 2 titulares).

O  montante do apoio, não poderá nunca ultrapassar os 150 Euros mensais,  e terá a duração máxima de 3 meses.

“Nós contamos com alguns casos de famílias que já estão sinalizadas pelas paróquias que possam precisar deste apoio. As verbas não são muitas mas vamos dar um contributo e ser solidários com quem mais precisa” assegura Anabela Borba lembrando que a Cáritas aguarda ainda a resposta a alguns pedidos de apoio feitos a empresas particulares de forma a poderem engrossar este fundo financiador deste programa.

Na primeira mensagem deixada durante a Quaresma como bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues lembrou o problema da habitação como uma das dificuldades mais prementes dos açorianos.

“Caminhar juntos, com Jesus entre nós, significa estar atento a quem vai ao lado, a não o deixar caído nem só, a entender os seus gritos, a procurar ser “casa” para ele. Mas “ser casa” não pode ser somente algo espiritual, uma boa intenção. Precisa de ser encarnado e vivido de modo visível, com consequências para quem “abre a casa” e quem é convidado a entrar”, escrevia D. Armando Esteves Domingues.

“Apela-se igualmente a que as comunidades eclesiais – paroquiais e outras – se organizem para escutar a dor de quem passa por dificuldades comprovadas e não consegue pagar a casa e sustentar a família” escrevia ainda o prelado.

“Enquanto dura a crise, seria sinal de verdadeira conversão e de confiança no Evangelho que diz que “a quem dá, ser-lhe-á dado” (Lc 6, 38) e “recebereis 100 vezes mais em casas, campos…” (Cf. Mc 10, 29) que, em cada paróquia, se fizesse o levantamento possível sobre as famílias que estão em dificuldade e se desse uma ajuda monetária cada mês”, prosseguia.

“Se cada paróquia o fizesse, por exemplo com 2 ou 3 famílias, por iniciativa de pessoas individuais ou com a partilha comunitária, não se chegaria a todos, mas já eram umas centenas de atingidos. Também a Cáritas Diocesana estará disponível e empenhada para complementar esta ajuda” garantia.

“Se as comunidades cristãs souberem ser esta “casa” de acolhimento, de escuta, de partilha, de caminho juntos, perceberão como responder e, caso necessário, encaminharão para os Serviços diocesanos da Cáritas. As famílias necessitadas não deveriam sentir receio em fazer presente as suas necessidades. Hoje são eles, amanhã seremos nós. Que bom seria que cada comunidade tratasse dos seus pobres!” concluía.

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