Bispo sugere formação para melhorar prestação dos sacerdotes.

A ideia de que a homilia não é uma catequese e que deve ser um momento de comunicação entre o sacerdote e a sua comunidade, sendo simples e direta, foi analisada esta tarde pelos sacerdotes presentes na 39º sessão plenária do conselho presbiteral.

 

Partindo de uma questão enviada às ouvidorias sobre como construir uma homilia “fazendo dela um momento de diálogo empático”, o conselho pronunciou-se pela necessidade dos sacerdotes prepararem melhor “ esse momento” que é “crucial” na vida das comunidades cristãs que nos Açores, mantém ainda práticas de assistência às missas dominicais na ordem dos 25%.

 

“A homilia não é de si um diálogo nem um monólogo”, deve “atualizar a palavra proclamada aos destinatários dos tempos de hoje”, e deve ser sempre “o ponto de partida para a vivência da vida cristã”, refere o documento preparado pelo Conselho Permanente do Conselho Presbiteral, depois das respostas enviadas por 12 das 16 ouvidorias da diocese de Angra.

 

Os sacerdotes diocesanos, presentes no Conselho, reconhecem, ainda, que a homilia “não é um espaço para cada um brilhar” nem deve ser “um poço de recados”, de espécie alguma, seja de natureza comportamental ou política, como de resto também sublinha o contributo dos leigos que o Serviço Diocesano da Pastoral da Família e Laicado apresentou ao Conselho e que integra o documento preparatório deste Conselho.

 

Já no debate, o ecónomo da Diocese, Pe Adriano Borges, sublinhou a importância do momento da homilia, que “não deve ser desperdiçado” e frisou a importância dela obedecer a dois pressupostos: a essência do ministério – ensinar e batizar- e o conhecimento das comunidades.

 

“Hoje as nossas comunidades são mais esclarecidas, não só do ponto de vista da instrução e educação mas também do conhecimento que têm das coisas e, por isso, a nossa mensagem tem de ser cuidada e esclarecida”, sublinhou Adriano Borges.

 

Aliás, o sacerdote que é o vigário paroquial para o lugar de São Carlos, em Angra do Heroísmo, lançou mesmo a possibilidade de se fazer uma avaliação da “qualidade” das homilias, não numa perspetiva de “escrutinar” mas de “melhorar” a comunicação.

 

Esta já é uma prática em algumas dioceses e “permitiria fazer uma avaliação do nosso trabalho”, concluiu Adriano Borges.

 

O Ouvidor de Ponta Delgada insistiu na necessidade de haver uma formação homilética, pois como “espaço de liberdade do sacerdote”, isenta de qualquer “escrutínio” “pode falar ou não”.

 

O assunto vai voltar a ser debatido amanhã com uma conferência do Cónego António Rego, convidado para o Conselho, que a partir da exortação apostólica do Papa fará uma intervenção sobre o que se comunica e como se comunica durante uma homilia.

 

O dia de hoje termina com a apresentação de propostas sobre temas a discutir em próximas assembleias do clero diocesano.