Iniciativa é particularmente importante na sexta-feira santa, na celebração da Paixão

Num contexto de guerra persistente no Médio Oriente, o Dicastério para as Igrejas Orientais renovou o seu apelo anual à Coleta para a Terra Santa, convidando não só à ajuda material, mas sobretudo à oração intensa pela paz , especialmente num momento em que recentes incidentes ameaçam também a vivência segura da celebração pascal na Terra Santa.
Tradicionalmente realizada na Sexta-feira Santa (este ano a 3 de abril), esta coleta assume um significado ainda mais profundo perante o agravamento da situação.
“As armas continuam a disparar, as pessoas continuam a morrer”, recorda o cardeal Claudio Gugerotti, sublinhando o sofrimento silencioso de populações que permanecem esquecidas, num comunicado enviado a todas as dioceses.
“A instabilidade não só destrói vidas, como fragiliza a presença cristã na região”, avança o texto do Dicastério que alerta para as inúmeras famílias que perderam tudo – inclusive o sustento ligado aos peregrinos – e veem-se forçadas a abandonar a sua terra para sobreviver, com esta preocupação acrescida depois da proibição do passado domingo em Jerusalém que impediu os cristãos de celebrarem na Igreja do Santo Sepulcro o Domingo de Ramos.
O apelo ecoa também o ensinamento do Papa Leão XIV: é essencial garantir condições para que as populações locais possam permanecer nas suas terras com dignidade e segurança.
A ajuda internacional, ainda que pareça pequena, pode fazer a diferença.
“Uma gota no oceano”, diz o texto, lembrando que um oceano que perde gotas acaba por se tornar deserto.
Os donativos recolhidos destinam-se a apoiar projetos em vários países da região, incluindo Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Líbano e Egito. Para além da preservação dos lugares santos, estes fundos permitem ações concretas de emergência, como distribuição de alimentos e medicamentos, apoio a deslocados, manutenção de escolas, bolsas de estudo e habitação social.
Mais do que nunca, este é um tempo de união espiritual.
A Igreja convida todos os fiéis a rezar pela paz, pela proteção dos povos da Terra Santa e pela possibilidade de celebrar a Páscoa sem medo, para que, mesmo no meio da dor, não se apague a esperança. Ainda esta terça feira, na Missa Crismal celebrada na Sé, o bispo de Angra apelou á oração pela paz e pelo fim do radicalismo religioso que se pode escudar por detrás de questões securitárias.
Evocando os acontecimentos do último Domingo de Ramos, em Jerusalém, na Igreja do Santo Sepulcro, onde o Patriarca Latino de Jerusalém e o Custódio da Terra Santa foram impedidos de celebrar, afirmou: “Vivemos uma Semana Santa; peçamos seriamente pela paz, um dom que só Deus pode dar aos homens”, lamentando ainda o crescimento do radicalismo religioso e pedindo oração “por todos os mártires da paz”.