O Papa referiu hoje, numa mensagem à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que o combate à fome é um desafio “inadiável”, alertando para o impacto da pandemia nas populações mais pobres.

“A luta contra a fome exige que se supere a fria lógica do mercado, centrada avidamente no mero benefício económico e na redução dos alimentos a mais uma mercadoria, promovendo a lógica da solidariedade”, escreve Francisco, numa mensagem ao diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, por ocasião da cerimónia que assinala o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), celebrada hoje em Roma.

No texto, divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa apela a uma “mudança de rumo”, no pós-pandemia, para que os sistemas alimentares mundiais possam responder a futuras crises.

“O valioso contributo dos pequenos produtores é crucial, devendo ser facilitado o seu acesso à inovação que, aplicada ao setor agroalimentar, pode reforçar a resistência às alterações climáticas, aumentar a produção de alimentos e apoiar quem trabalha na cadeia de valor alimentar”, pode ler-se.

Francisco destaca que a celebração anual do Dia Mundial da Alimentação coloca em destaque “um dos maiores desafios da humanidade, vencer a fome de uma vez por todas”.

O texto evoca a recente cimeira sobre sistemas alimentares, que decorreu em setembro, na sede da ONU, em Nova Iorque (EUA), apelando a “soluções inovadores que possam transformar” a produção e consumo.

“Isto é inadiável, para acelerar a recuperação pós-pandemia, combater a insegurança alimentar e avançar para a concretização de todos os objetivos da Agenda 2030”, indica o Papa.

A mensagem aponta quatro âmbitos de ação prioritários: o campo, o mar, a mesa e a redução de perdas, o desperdício de alimentos.

A celebração de 2021 tem como tema ‘As nossas ações são o nosso futuro. Melhor produção, melhor nutrição, melhor ambiente e melhor qualidade de vida’.

O Papa denuncia o “paradoxo” de um mundo em que 3 mil milhões de pessoas vivem sem acesso a uma “dieta nutritiva” e quase 2 mil milhões têm excesso de peso devido a uma má alimentação e um estilo de vida sedentário.

“Os nossos estilos de vida e práticas quotidianas de consumo têm influência na dinâmica global e do meio ambiente, mas se aspiramos a uma mudança real, temos de instar produtores e consumidores a tomar decisões éticas e sustentáveis”, realça Francisco.

A mensagem conclui-se com uma bênção para todos os que “combatem com generosidade a miséria e a fome no mundo”.

(Com Ecclesia)