O presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais (CECS) alertou que a sociedade atual está a perder a “arte do diálogo”, propondo que a Igreja aposte numa linguagem de “reflexão” e “provocação” para transmitir o Evangelho.
“É preciso uma comunicação que não seja apenas informação de eventos, de apontamentos, mas seja também reflexão, meditação, provocação, questionamento, que abra caminhos, abra sentido também àqueles que nos veem, que nos escutam, que nos leem”, disse D. Alexandre Palma, em entrevista à Agência Ecclesia.
As Jornadas Nacionais de Comunicação Social decorrem esta quinta-feira, no Seminário de Leiria, sob o lema ‘Por uma gramática do encontro’.
O responsável da CECS definiu como urgência “colocar as diferentes instituições a trabalhar em rede”.
“A nossa função é sermos facilitadores do encontro de todos estes comunicadores”, assumiu o bispo auxiliar de Lisboa.
D. Alexandre Palma sublinhou a necessidade de se “reaprender a linguagem” e a “gramática própria dos meios de comunicação social”, sublinhando que o programa do evento foi construído na lógica de “escutar” o outro e em torno de verbos de “ação”, como conversar, partilhar e programar.
“Não é a escuta pela escuta, é a escuta como um passo necessário da comunicação”, advertiu o responsável, frisando que os próprios profissionais da área precisam de treinar esta dimensão para conseguirem reinventar “a capacidade de dizermos e de escutarmos”.
Avaliando as ferramentas “de largo impacto”, D. Alexandre Palma recusou um modelo limitado à mera “informação de eventos” ou de apontamentos, defendendo que o setor deve produzir “reflexão, meditação, provocação, questionamento, que abra caminhos” e sentido àqueles que o leem e escutam.
“A comunicação da Igreja não pode ser apenas informação daquilo que acontece nela, tem de ser também uma dimensão propositiva”, sustentou o presidente da CECS, pedindo que a mensagem constitua uma verdadeira “proposta de Evangelho” para as sociedades contemporâneas.
O entrevistado apontou a uma “conversão de mentalidades” que rejeite o isolamento do setor em “silos” e que deixe de o tratar como “uma espécie de um departamento paralelo” à ação eclesial.
A estratégia comunicativa, assinalou, deve ser antes “uma linha que atravessa as diversas expressões da atividade da Igreja”, intercetando a liturgia, a educação ou a juventude.
D. Alexandre Palma clarificou ainda que a Igreja não deve ficar refém de apenas “um tipo de comunicação”.
O responsável católico notou que nem sempre é possível utilizar conteúdos “muito complexos, com conceitos”, mas frisou que a simples “comunicação de instante, de reação, de segundos” é igualmente “muito redutora”.
Lembrando que a Igreja Católica esteve, em muitos aspetos, “na vanguarda da própria comunicação”, o responsável apelou à necessidade de se construir “um bocadinho em cima desta enorme herança”, qualificando e promovendo a sua presença atual nos meios digitais.
A entrevista, emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2), abordou o o avanço da inteligência artificial (IA), com D. Alexandre Palma a defender que os novos meios digitais devem funcionar como um laboratório para o “bem comum” e que a tecnologia tem de assumir um papel instrumental “ao serviço da promoção da dignidade da pessoa humana”, fomentando permanentemente uma comunicação “de humanos para humanos”.
As Jornadas Nacionais dirigem-se a profissionais de comunicação institucional, órgãos de comunicação confessionais, produtores de conteúdos religiosos no digital e jornalistas generalistas responsáveis pela cobertura do fenómeno religioso.
O programa do evento está disponível online e as inscrições devem ser realizadas até ao final desta segunda-feira.
(Com Ecclesia)
