Dia do Consagrado celebrado nos Açores com apelo à alegria, ao despojamento e à fidelidade ao Evangelho

“A vossa entrega de vida é sinal de bem-aventurança e de felicidade”, afirmou o pároco da Sé, um dos dois locais onde este domingo vários religiosos  da diocese de Angra renovaram os seus votos

Foto: Consagrados em São Miguel/IA/CR

A Igreja nos Açores celebrou a Festa da Apresentação do Senhor, que assinala também o Dia Mundial da Vida Consagrada, comemorado a 2 de fevereiro, com momentos de oração e partilha na ilha Terceira, na Sé de Angra, e em São Miguel, no Cabouco, reunindo religiosos e religiosas das 10 comunidades de vida consagrada presentes no arquipélago. Antes das duas celebrações eucarísticas, os consagrados participaram num momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, sublinhando a centralidade da oração na sua vocação.

Na Sé de Angra, o Cónego Hélder Miranda Alexandre centrou a sua homilia nas Bem-aventuranças, apresentando-as como a verdadeira identidade do cristão. Referiu que estas constituem a “magna carta da alegria” e não um conjunto de normas impostas, desafiando a um caminho de felicidade que Jesus propõe livremente e que convida a todos a ir em mais além através da humildade, da mansidão e da pobreza.

O sacerdote sublinhou que Jesus não exalta a miséria nem a mendicidade, lembrando que o ideal cristão é que não haja pobres na comunidade.

A pobreza de espírito, explicou, “é um convite ao despojamento interior, à renúncia, à partilha e à entrega confiante a Deus, à semelhança de Maria, que acolheu a Palavra do Anjo”.

“Trata-se de um despojar-se da arrogância, da ambição e do desejo de domínio sobre os outros, pois na Igreja não há lugar para a autossuficiência” esclareceu ainda ao destacar que a vida cristã e consagrada é vivida essencialmente em comunidade.

Referindo-se aos que sofrem, recordou que a sabedoria de Deus passa muitas vezes pela lógica da cruz, própria daqueles que optam por seguir Jesus sem condições, abraçando o seu estilo de vida.

As Bem-aventuranças, acrescentou, “são um convite permanente ao caminho e à conversão, revelando a predileção de Deus pelos últimos, pelos pobres e pelas periferias, tão presentes na história da salvação”.

Dirigindo-se aos consagrados, o Cónego Hélder Miranda Alexandre afirmou que Jesus não quer “cristãos infelizes”, mas pessoas de “coração cheio”, que vivem a fé com “intensidade, generosidade e entrega”.

Agradeceu ainda o testemunho histórico da vida consagrada nas ilhas desde o povoamento e apelou à oração pelas comunidades religiosas, hoje marcadas pelo envelhecimento, pedindo luz e discernimento para o surgimento de novas vocações.

“A vossa entrega de vida é sinal de bem-aventurança e de felicidade”, disse ainda.

Em São Miguel, a celebração do Dia do Consagrado teve lugar no Cabouco, na ouvidoria da Lagoa, reunindo representantes de oito congregações religiosas presentes na ilha: Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs de São José de Cluny, Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, Irmãs Reparadoras Missionárias da Santa Face, Congregação de Nossa Senhora do Bom Pastor (ativas e contemplativas), Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição e Irmãs Clarissas. A apresentação das comunidades e das localidades onde desenvolvem a sua missão permitiu dar a conhecer a diversidade de carismas existentes na diocese.

Na homilia, o Padre Gil Silva, também ele religioso dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, conhecidos como Dehonianos, por causa do seu fundador,  destacou a alegria que nasce do encontro com Cristo, evocando a figura de Simeão, que reconhece no Menino Jesus a Luz que vem libertar e salvar. Sublinhou que Deus continua a chamar cada pessoa através do seu amor, convidando-a a servir com liberdade e entrega.

A celebração ficou ainda marcada pelo testemunho vocacional da irmã Hirondina Mendes, da Congregação de São José de Cluny, natural de Moçambique, que professou votos há cerca de um ano.

Recordando o seu percurso, afirmou que “ser missionária é ir onde ninguém quer ir e fazer aquilo que ninguém quer fazer”, reconhecendo que, apesar dos desafios e dificuldades, encontrou sempre em Deus a força para perseverar. A sua primeira missão foi em Portugal, onde procura viver integrada na comunidade, dando testemunho de Cristo através da vida quotidiana.

Na celebração, o padre Gil Silva sublinhou ainda o valor do testemunho dos religiosos mais idosos, “cuja fidelidade, abnegação e entrega continuam a ser fonte de inspiração para os mais novos, recordando que a verdadeira força da vocação nasce de Deus”.

Esta tarde os religiosos de São Miguel farão ainda uma passagem pelo Convento das Clarissas, nas Calhetas, ouvidoria da Ribeira Grande, o único convento de clausura na diocese, a onde rezarão em conjunto a oração de Vésperas. Amanhã Será na missa das 8h00, no Santuário do Senhor Santo Cristo que os religiosos de São Miguel celebrarão o Dia do Consagrado.

Já os da Terceira, espalhados por quatro congregações- Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Ordem Hospitaleira- Instituto de São João de Deus e Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus- reunir-se-ão às 20h30 na Casa de São Francisco, no Pico da Urze, em Angra para uma Vigília de Oração.

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