
O Papa Leão XIV convidou a gestos de “proximidade e presença”, na sua mensagem para este Dia Mundial do Doente, falando em “sinais de participação pessoal nos sofrimentos do outro”.
“Vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”, lamentou o Papa, na mensagem que escreveu para a celebração de hoje.
O texto, com o tema ‘A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro’, convida a “redescobrir a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão”, chamando a “atenção para os necessitados e para os que sofrem”, como acontece com os doentes.
Na primeira mensagem que escreve para o Dia Mundial do Doente, Leão XIV indica que o amor “não é passivo”, mas procura “ir ao encontro do outro”, e reconhece que o “ser próximo” não depende da “proximidade física ou social, mas da decisão de amar”.
As palavras do Papa recuperam a parábola do ‘bom samaritano’ onde um desconhecido para o seu caminho para assistir uma pessoa “abandonada e quase morta”, trata dele com compaixão, leva-o para uma hospedaria e paga para que este seja cuidado.
“Não são meros gestos de filantropia, mas sinais nos quais se pode perceber que a participação pessoal nos sofrimentos do outro implica dar-se a si mesmo, supõe ir mais além de satisfazer necessidades, para chegar ao ponto da nossa pessoa ser parte do dom”, pode ler-se.
| Na audiência geral desta manhã, o Papa enviou uma mensagem aos que se reúnem em Chiclayo, Peru, para celebrar solenemente o Dia Mundial do Doente.
“Confio todos, especialmente aos doentes e aos seus familiares, à proteção maternal da Santíssima Virgem Maria. Sob a sua proteção, confio também as vítimas e todos os afetados pelas graves inundações na Colômbia, enquanto exorto toda a comunidade a apoiar com caridade e oração as famílias afetadas. Que Deus os abençoe”, referiu. Leão XIV evocou ainda a memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, “Os meus pensamentos dirigem-se aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Que a Virgem de Lourdes, que hoje celebramos, vos acompanhe maternalmente, interceda por vós junto a Deus e vos obtenha as graças que vos sustentem no vosso caminho”, disse. O Papa anunciou que, no final da audiência geral, vai rezar na gruta de Lourdes nos Jardins do Vaticano e acender uma vela, sinal da “oração por todos os doentes”, que hoje recorda “com especial carinho”. |
Leão XIV indica que quis ler a passagem bíblica do ‘Bom Samaritano’, “com a chave hermenêutica da Encíclica ‘Fratelli tutti’”, do Papa Francisco, onde “a compaixão e a misericórdia para com os necessitados não se reduzem a um mero esforço individual, mas realizam-se na relação: com o irmão necessitado, com aqueles que cuidam dele e, fundamentalmente, com Deus, que oferece o seu amor”.
“Desejo vivamente que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo”, sublinhou.
A mensagem reconhece que a compaixão “implica uma emoção profunda, que conduz à ação”.
É um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio. Nesta parábola, a compaixão é a característica distintiva do amor ativo. Não é teórica nem sentimental, mas traduz-se em gestos concretos: o samaritano aproxima-se, cura, responsabiliza-se e cuida.”
Leão XIV sublinha ainda que os gestos concretos que traduzem a compaixão não são feitos de forma isolada, e recorda a sua experiência missionária, no Peru, onde “muitas pessoas partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro”.
“Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social. Esta experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual”, traduz.
O Papa explica que “servir o próximo é amar a Deus na prática” e convida a ações desinteressadas de “recompensa”.
“Esta dimensão também nos permite contrastar o que significa amar-se a si mesmo. Implica afastar de nós o interesse de basear a nossa autoestima ou o sentido da nossa própria dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, recuperando pelo contrário a nossa própria posição diante de Deus e do irmão”, convidou.
Leão XIV termina a mensagem lembrando “os doentes e as suas famílias”, também os que cuidam de quem está doente, e quis recordar o trabalho de “profissionais e agentes da pastoral da saúde”.