
A Subcomissão para o Diálogo Inter-Religioso (SCDIR) da Conferência Episcopal Portuguesa assinalou hoje, em Coimbra, o 7.º aniversário da Declaração sobre a Fraternidade Humana, assinada pelo Papa Francisco e o grande imã de Al-Azhar.
“Queremos ser agentes ativos da edificação deste mundo de justiça e de paz para todos”, disse D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra e vice-presidente da CEP, que destacou o “alcance” da conferência.
Falando a mais de uma centena de participantes, reunidos no Convento de São Francisco, o responsável católico afirmou que as religiões são chamadas a contribuir para a edificação de um “mundo diferente”, elogiando a “clarividência” do Papa Francisco.
“A humanidade não vai salvar-se sem a presença viva, construtiva, da dimensão religiosa da vida”, declarou o bispo de Coimbra.
Na abertura dos trabalhos, o padre Adelino Ascenso, diretor da SCDIR, sustentou que o tema escolhido é um “assunto incontornável” num mundo intercultural e inter-religioso.
A iniciativa decorre após a celebração do 60.º aniversário da declaração conciliar “Nostra Aetate”, a 16 de outubro de 2025, em Fátima.
Na sessão de abertura, Khalid Jamal, da Comunidade Islâmica de Lisboa, começou por “evocar a paz, num mundo que desesperadamente precisa dela”.
“O objetivo do diálogo é o diálogo e não a procura de um consenso”, apontou.
O responsável sublinhou que é importante “dialogar” sobre religião, em vez de guerrear por causa dela, convidando todos a “continuar este caminho de fraternidade, fé e compreensão do próximo”.
O programa inclui a intervenção de três conferencistas: o cardeal Gianbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém; Adnane Mokrani, professor de Teologia Islâmica na Universidade Pontifícia Gregoriana, Roma; e Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa.
A iniciativa conta também com um comentário final levado a cabo por Pedro Vaz Patto, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz.
No dia 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram nos Emirados Árabes Unidos o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum., que condena o terrorismo e a intolerância religiosa.
Na sequência desse texto que ficou conhecido como a Declaração de Abu Dhabi, a Assembleia-Geral das Nações Unidas proclamou o dia 4 de fevereiro como Dia Internacional da Fraternidade Humana.
(Com Ecclesia)